Brasil tem potencial inovador, mas acesso a recursos ainda é desigual entre as regiões

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Apesar da presença de polos de inovação em todas as regiões do país, o Brasil ainda enfrenta um cenário de desigualdade significativa na distribuição de recursos públicos voltados à inovação, segundo Ivana Beber, Head of Funding for Innovation & Partner da Gröwnt. Em entrevista à TI Inside, a executiva destacou que o problema não está na ausência de projetos inovadores, mas na falta de acesso e divulgação adequada dos instrumentos de fomento fora do eixo Sul-Sudeste.

"Temos polos muito relevantes espalhados pelo Brasil. O que falta, muitas vezes, é divulgação. Algumas regiões têm mais familiaridade com os conceitos e com os mecanismos disponíveis", explica. Para Ivana, a diferença entre o volume de projetos contratados pela Finep em diferentes regiões está diretamente ligada à capilaridade das instituições e ao conhecimento técnico necessário para acessar os recursos.

A executiva citou a Finep e o BNDES como as principais fontes de financiamento para a inovação no país, e apontou que mais de 80% dos projetos contratados pela Finep nos últimos dois anos estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste. "Tem muito projeto no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas falta acesso e conhecimento para que essas empresas consigam se conectar aos recursos", afirmou.

Além da falta de informação, Ivana também destaca a complexidade dos processos de captação. "Mesmo com a divulgação que vem aumentando, os empresários ainda encontram dificuldades para localizar os recursos, que estão pulverizados em diferentes plataformas e usam linguagens distintas", comenta.

Perspectivas futuras

Apesar do cenário, a executiva ressalta que há avanços. Iniciativas estaduais e municipais, como fundações de amparo à pesquisa e secretarias de inovação, têm se articulado para fomentar ecossistemas locais.

Ivana vê com otimismo o novo ciclo de investimentos proposto pelo programa Nova Indústria Brasil, que prevê R$ 300 bilhões até 2026 para áreas estratégicas, incluindo tecnologias digitais, descarbonização, agroindústria e saúde. Parte desses recursos virá em forma de crédito subsidiado, mas também há previsão de subvenções econômicas e outros modelos de apoio.

"Há dinheiro, sim, mas é preciso saber onde procurar, entender os temas prioritários do governo e adequar a linguagem do projeto. O governo fala como a academia, não como o investidor", afirma Ivana. Segundo ela, o sucesso está em montar um ciclo virtuoso, onde as empresas aprendem a captar, executar e prestar contas para seguirem inovando continuamente.

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