A Inteligência Artificial fomenta uma logística precisa e integrada, capaz de prever demandas, otimizar estoques, reduzir custos e, sobretudo, aprimorar a experiência do cliente com mínimos cliques. Transformando a estratégia dos negócios, a revolução provocada pela IA no supply chain deixou de ser apenas uma opção, mas sim uma necessidade para empresas que desejam se manter competitivas.
Segundo o relatório "The Future of the Last-Mile Ecosystem", do World Economic Forum, as entregas automatizadas representarão, aproximadamente, 20% das operações logísticas globais neste ano. Isto espelha a necessidade do mercado se adequar às inovações o quanto antes, visando a entrega de soluções cada vez mais eficientes e alinhadas à experiência do cliente.
Reformulando o supply chain, a IA acelera e impulsiona em direção à logística moderna, que se opõe ao método tradicional, até então fortemente dependente de processos manuais, suscetível a erros, custosa e ineficiente. Neste sentido, essa tecnologia trouxe além de automação avançada, tomadas de decisão orientadas por dados, tornando os processos mais ágeis e precisos.
De fato, a implementação de sistemas baseados em IA depende essencialmente de plataformas que oferecem tais serviços, como OpenAI, Google AI, AWS AI, DeepSeek, Grok, entre outras. Isto faz com que o acesso aos dados e a infraestrutura adequada para processá-los, a exemplo de data lakes e outras tecnologias de gerenciamento de dados, seja fundamental para o enriquecimento e a precisão das análises.
Desafios
Existem diversos desafios associados aos processos internos de operação de um centro de distribuição que podem ser otimizados por meio da inteligência artificial, como gestão de estoque, picking, movimentação de materiais e roteirização de veículos. A previsão de demanda, por exemplo, se beneficia da tecnologia ao prever de forma assertiva quanto de mercadoria comprar para um armazenamento mais eficaz, já considerando variáveis como sazonalidade, mudanças comportamentais e fatores externos.
Inclusive, os algoritmos modernos de roteirização podem aprender padrões a partir de dados históricos usando técnicas de machine learning e deep learning. Isto permite prever congestionamentos, ajustar rotas em tempo real e melhorar a eficiência com o tempo, considerando vários tipos de restrições como rodízios de veículos em regiões determinadas, tamanho do automóvel ao tipo de via, entre outras variáveis.
Há também desafios específicos relacionados à cultura organizacional, visto que existe o receio de substituição de empregos. No entanto, de acordo com a pesquisa da McKinsey, o segmento irá gerar de US$1,3 a US$2 bilhões anuais nos próximos 20 anos graças à adoção da tecnologia.
Acredito que novas oportunidades sempre surgem junto com as inovações. Por isso, recomendo que os profissionais que atuam em centros de armazenagem se especializem em IA aplicada ao setor, garantindo um uso estratégico e eficiente no contexto logístico. Afinal, é notável a atual escassez de colaboradores capacitados nesta área.
O futuro da logística é digital
A celeridade com que as tecnologias de big data e IA estão sendo integradas ao segmento reflete o potencial transformador dessas inovações na cadeia de suprimentos. Influenciando na definição da localização de novos centros de armazenagem, de acordo com os dados de consumo e demanda, elas também serão acompanhadas da implementação de robôs, sensores e IoT, garantindo assim maior precisão e agilidade aos processos internos. Inclusive, também é esperado um avanço no uso de veículos autônomos, equipados com sistemas de roteirização dinâmica, com o intuito de otimizar entregas e reduzir custos operacionais.
Portanto, logística e IA se consolidam como uma dupla de sucesso no ambiente corporativo. Tida como essencial para o futuro do segmento, a inteligência artificial se consolida anualmente como uma ferramenta indispensável para os empreendedores que desejam se manter competitivos em um mercado cada vez mais exigente.
Mario Harada, Diretor de Tecnologia e Desenvolvimento da Mobiis.