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Fabricante de chips chinesa Tsinghua faz oferta de US$ 23 bi pela americana Micron

Postado em: 14/07/2015, às 15:18 por Redação

A fabricante de chips Tsinghua UniGroup, empresa controlada pela estatal chinesa Tsinghua Holdings, fez uma oferta de US$ 23 bilhões pela Micron Technology, fabricante de chips de memória americana, de acordo com uma pessoa próxima às negociações, informam agências de notícias internacionais.

Para concluir o negócio, entanto, a estatal chinesa terá de superar inúmeros obstáculos. Relatório divulgado na segunda-feira, 13, pelo Credit Suisse aponta a compra como "altamente improvável", já que os órgãos reguladores norte-americanos consideram a indústria de semicondutores como estratégica para os Estados Unidos. O banco suiço diz que os as autoridades reguladoras também veem o risco de uma guerra comercial entre os EUA e a China na área de chips, uma vez que cada vez mais empresas americanas estão sendo incorporadas por companhias chinesas.

As dificuldades políticas que podem prejudicar o negócio se devem a desconfiança crescente entre os dois países em relação a tecnologias produzidas fora de suas fronteiras. Os chips de memória fabricados pela Micron estão presentes em grande parte dos data centers que processam o fluxo de informações em todo o globo. E a venda de uma empresa de chips de memória avançados como a Micron pode afetar a segurança americana, de acordo com alguns analistas.

A fonte que informou sobre o acordo disse que a Tsinghua UniGroup se interessou pela Micron em parte porque ela produz chips de memória, produto que gera relativamente menos preocupações em termos de segurança do que microchips. Além disso, os chips de memória são responsáveis por armazenar dados, e não por acelerar a velocidade de processamento. Outro aspecto que foi levado em consideração, segundo a mesma pessoa, é que grande parte da indústria de chips da memória foi adquirida por empresas asiáticas, como a Samsung e a Hynix.

O preço oferecido pela estatal chinesa também é visto como outra barreira para a conclusão do negócio. O investidor ativista David Einhorn, gestor do fundo de hedge Greenlight Capital, que detém uma participação significativa na Micron, disse em nota distribuída na segunda-feira que a empresa deveria valer mais de US$ 40 bilhões. Segundo analistas, considerando que a Micron tem boa tecnologia e com uma forte perspectiva de mercado, o preço é muito baixo.

Políticas restritivas

Do ponto de vista político, a Tsinghua UniGroup tem pouco a perder se a oferta falhar. Se o negócio for barrado pelos reguladores americanos, Pequim ganha mais força para acusar a política dos EUA como restritiva aos investimentos chineses — alegação que também é feita pelo governo Obama em relação às limitações impostas a empresas de tecnologia americanas para operar na China.

A compra da Micron é vista como parte do esforço do governo chinês para construir uma indústria nacional de semicondutores, já que ela proporcionaria acesso a equipamentos altamente avançados para fabricação de semicondutores e aceleraria a capacidade do país de produzir chips menores e mais avançados. Um relatório divulgado no ano passado pela McKinsey revela que a intenção do governo central é fazer a indústria de chips da China líder global até 2030. Para tal, ele pretende investir cerca de US$ 170 bilhões na próxima década para desenvolver o setor.

Procurada pela imprensa, a Tsinghua UniGroup disse não tinha nenhum anúncio oficial a fazer sobre o assunto. A notícia foi publicada pela primeira vez pelo The Wall Street Journal. A Micron também não quis comentar os rumores.

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