Startups brasileiras recebem US$ 772 milhões em investimentos em agosto

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O ecossistema de inovação brasileiro segue bastante aquecido. Somente em agosto, foram investidos US$ 772 milhões, distribuídos em 56 rodadas, segundo dados do Inside Venture Capital Report, relatório mensal produzido pela plataforma de inovação aberta Distrito. O montante foi mais de quatro vezes superior ao mesmo mês de 2020, que registrou uma captação de US$ 191 milhões, em 45 investimentos.

Entre janeiro e agosto deste ano, as startups brasileiras já receberam cerca de US$ 6,6 bilhões em investimentos, em um total de 457 aportes – o volume acumulado já supera em mais de 85% o arrecadado ao longo de todo o ano de 2020.

Entre os principais aportes registrados no mês de agosto estão três rodadas Series C, captadas por Omie, Unico e Petlove. Os aportes foram de US$ 110 milhões, US$ 120 milhões e US$ 145 milhões, respectivamente. Uma extensão no valor de US$ 120 milhões da Series E do QuintoAndar também contribuiu para a grande elevação dos números – somada a valores anteriores, a rodada já acumula US$ 755 milhões em investimentos.

"O mercado tem atraído cada vez mais investimentos estrangeiros. Softbank, por exemplo, participou de três dessas transações. Sem dúvida alguma, isso fortalece a tese de amadurecimento do nosso ecossistema e, mais do que isso, marca a evolução e a consistência dessas empresas", reforça Gustavo Gierun, cofundador e COO do Distrito.

No que diz respeito à distribuição de investimentos por setores, as fintechs seguem na liderança: desde janeiro, foram 115 rodadas, que juntas somaram US$ 2,6 bilhões. Em seguida, temos as retailtechs, como são chamadas as soluções no varejo. Foram US$ 631 milhões captados, distribuídos em 50 aportes. As edtechs, que atuam no setor de educação, figuram em terceiro lugar no ranking, com US$ 294 milhões, em um total de 40 aportes.

"Temos um ano extremamente aquecido, com um crescimento contínuo. Se esse ritmo se mantiver, é certo que até o final de 2021 devemos atingir uma marca entre US$ 8 e 10 bilhões de investimentos captados por startups nacionais", afirma Tiago Ávila, líder de Dados do Distrito.

M&As

Com mais 26 fusões ou aquisições de startups realizadas em agosto, o ano já acumula 160 acordos dessa natureza. Como esperado, o setor constituído pelas fintechs é o que mais tem chamado atenção das empresas: foram 22 delas adquiridas até agora. Em seguida, estão as retailtechs (19) e martechs (14).

Em relação ao modelo de negócio adotado pelas startups adquiridas, mais da metade (58,5%) são B2B e têm como público-alvo outras empresas. Pouco menos de ¼ (23,1%) são B2C e trazem soluções diretamente para o consumidor.

Nesta edição do relatório, o Distrito traz ainda uma análise acerca do perfil dos compradores dessas startups. Entre 2010 e 2020, as transações dessa natureza eram realizadas, principalmente, por empresas grandes já estabelecidas (60,4%). Apenas 30,2% desses acordos eram realizados entre startups. Os 6,6% restantes dividiam-se entre holdings e investidores institucionais.

No primeiro semestre de 2021 já se nota, entretanto, uma maior concentração de fusões e aquisições realizadas por ou entre startups. O modelo já representa 54,1% das negociações mapeadas pelo Distrito, ante 36,4% das transações realizadas por grandes empresas. A inversão se dá tanto pelo amadurecimento do ecossistema de inovação como um todo, como também pelo acirramento da competição em setores específicos como o de fintechs, no qual se vê com frequência uma startup mais madura comprando outras para ampliar seu portfólio, oferecendo aos consumidores um leque maior de produtos e serviços.

"A aquisição e fusão de startups tem se mostrado uma ferramenta muito importante, tanto para a transformação digital das empresas, quanto para a conquista de uma fatia maior de um mercado hoje super competitivo", aponta Gierun. "Nesse contexto, vale dizer que vão ficar para trás as companhias que não se atentarem para esse movimento e para as mudanças de comportamento e de consumo de seu público", completa.

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