5G: um novo universo para empresas reduzirem custos e gerarem novas receitas

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A 5G é realmente uma tecnologia que foi construída para atender a requisitos que vão além do consumidor tradicional e da banda larga móvel.  Partindo desta premissa, o leilão das frequências de espectro para uso do 5G têm dominado os noticiários de todo Brasil nas últimas semanas, vendendo mais de 44 licenças de funcionamento a 11 empresas em dois dias, elevando R$ 46,7 bilhões.  Isto tem inevitavelmente atraído o olhar dos mais curiosos e fãs das novas tecnologias.

A discussão que queremos trazer aborda não apenas as funcionalidades que o 5G trará aos usuários de celular, mas também sobre como o 5G, quando aplicado às redes privadas, poderão ajudar as empresas brasileiras a ganharem novos patamares em termos tecnológicos e de eficiência competitiva.

Assim como a 4G criou uma economia de aplicativos voltada para os consumidores, a 5G tem o potencial de elaborar uma "loja de aplicativos" para a indústria e as empresas. Uma plataforma de conectividade escalável, interoperável e confiável dá aos desenvolvedores a confiança para criar sem se preocupar com o que está acontecendo "sob o capô". Esta é a base de uma economia baseada em rede.

Durante a pandemia, as empresas que não foram capazes de digitalizar operações e interações com clientes não sobreviveram; e aquelas que o fizeram aceleraram suas jornadas digitais. Enquanto que as redes corporativas se tornavam a espinha dorsal das empresas, os gerentes de TI procuravam criar arquiteturas 5G privadas que pudessem responder às demandas de aplicativos e usuários.

Em graus variados, os governos de todo o mundo estão disponibilizando o espectro celular para empresas que querem usá-lo para fins comerciais, em vez de revender serviços a terceiros. Isso significa que o Wi-Fi não é mais a única opção acessível e disponível para as empresas sem fio. Além disso, os dispositivos celulares estão se tornando mais fáceis de serem ativados com a adoção global da tecnologia eSIM, o que poderia eventualmente apagar outra barreira para as redes celulares corporativas.

Segundo a equipe de analistas do IDC, o mercado de infraestrutura de redes celulares privadas valerá US$ 5,7 bilhões até 2024. A transformação digital da indústria, a convergência das telecomunicações e da TI, a migração das aplicações de nuvem para a borda e a crescente disponibilidade de espectro estão corroborando para preparar o cenário para a demanda explosiva de 5G privada.

Private 5G representa a intersecção de várias tendências

Para se ter uma ideia, mais de dois terços das operadoras globais recentemente pesquisadas pela GSMA Intelligence disseram que atualmente vendem redes sem fio privadas especificamente implantadas para clientes corporativos. A grande maioria destas operadoras tem pelo menos 10 clientes corporativos; 41% têm pelo menos 50.

As redes privadas dão aos operadores de redes móveis (MNOs) a oportunidade de evoluírem de fornecedores de conectividade de mercadorias para parceiros de valor agregado para seus clientes empresariais. Neste contexto, as redes privadas 5G já estão ajudando empresas de vários setores a cortar custos, reduzir o uso de energia e analisar dados críticos do negócio em tempo real. A economia desses custos pode ser dividida em duas grandes categorias: a gerada pelo acesso mais rápido a melhores dados e a gerada pela flexibilidade operacional.

Por exemplo, startups americanas do setor de agronegócio estão usando câmeras montadas em drones conectadas à rede 5G privadas para coletar, transmitir e analisar imagens da colheita em suas fazendas verticais. Isto acelera os processos de identificação e desenvolvimento de novas culturas. Já a flexibilidade é tipicamente vista no ambiente de fábrica, onde as linhas de produção podem ser reconfiguradas sem a necessidade de reconectar e religar equipamentos.

As empresas não querem construir uma experiência de gestão de telecomunicações. Na verdade, elas precisam de soluções abertas, interoperáveis e automatizadas, substituindo as tecnologias celulares opacas e obtusas que ninguém jamais entendeu, exceto os especialistas da indústria de telecomunicações. Isto, por sua vez, conduzirá a novas soluções que podem aumentar a concorrência e fazer baixar os preços.

Chegamos, então, à conclusão de que a rede privada 5G não é apenas um novo paradigma para as operadoras de rede, mas é também uma excelente oportunidade para as empresas públicas e privadas desbloquearem eficiências, aproveitarem dados em tempo real e gerarem novas receitas. E vai além disso. Trata-se de uma reinvenção da nossa relação com a conectividade.

Antonio Carlos Tostes, head de Pré-Vendas para América Latina e Sul da Europa da Mavenir.

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