Metade dos usuários de Internet veem riscos em disponibilizar dados pessoais no contexto da pandemia

0
38

A segunda edição do Painel TIC COVID-19, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), aponta que mais da metade (54%) dos usuários de Internet no Brasil afirmou que os riscos de disponibilizar seus dados pessoais na Internet para governos e empresas são maiores que os benefícios. Apenas 13% veem mais benefícios que riscos.

A principal preocupação é com fraudes bancárias (32%), roubo de identidade (23%) e invasão de privacidade (21%). Quando avaliado por classe, o prejuízo por fraude bancária foi mais citado entre os indivíduos das classes AB, enquanto o roubo de identidade e a invasão de privacidade foram mais mencionados por usuários nas classes DE.

Já quando perguntados se baixariam um aplicativo sobre informações sobre a covid-19, 53% disseram que provavelmente ou com certeza baixariam o app. Apenas 19% não faria o download de um aplicativo do tipo, índice menor que o dos que já baixaram, que foi de 20%.

Já a propensão a baixar aplicativos que notificam sobre o contato com pessoas infectadas pela covid-19 foi maior: 60% dos usuários afirmaram que com certeza baixariam e outros 25% disseram que provavelmente o fariam.

Os motivos mais citados pelos usuários para não baixar aplicativos foram a falta de interesse (46%), seguida pela decisão de evitar a ansiedade (43%). Os usuários também mencionaram se preocupar com vigilância por parte do governo após a pandemia (42%), além de motivos como não acreditar que o aplicativo impeça a identificação (39%) e não querer que o governo acesse seus dados de geolocalização (39%).

"As porcentagens sugerem a importância da transparência na gestão das ferramentas e estratégias de vigilância epidemiológica que fazem uso das TIC. O assunto, sem dúvida, merece um amplo debate no País, não apenas em virtude do uso de dados no contexto da pandemia, mas também em decorrência da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais que recentemente entrou em vigor", avalia Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Sobre a percepção de controle sobre seus próprios dados pessoais, 48% consideram ter ao menos um pouco de controle, enquanto 18% afirmam ter muito. Um quinto (22%) admitem que não tem nenhum controle.

Metodologia da pesquisa foi diferente

É importante ressaltar que o Painel TIC Covid-19 tem uma metodologia diferente da adotada nas tradicionais TIC Domicílios divulgadas anualmente pelo Cetic.br, que são feitas com entrevistas pessoalmente. Devido ao distanciamento social, o órgão optou por fazer uma pesquisa online.

Foram entrevistadas cerca de 2,4 mil pessoas com 16 anos ou mais, amostra que representa um universo de cerca de 97 milhões de pessoas, que corresponde a 80% dos usuários de Internet com 16 anos ou mais. Foram realizadas entrevistas pela web e por telefone, entre os dias 29 de julho e 21 de agosto de 2020.

O Cetic.br ressalta que a pesquisa não considerou pessoas que não tem acesso à Internet. As comparações com pesquisas TIC Domicílios anteriores foram possíveis porque o Cetic.br fez um recorte dos dados.

Deixe seu comentário