O desafio de assumir a liderança de uma grande empresa na crise da pandemia

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O período da pandemia do coronavirus está trazendo desafios de toda ordem para empresas, profissionais e sociedade. Assumir uma consultoria de tecnologia gigante de origem espanhola  no meio desse "furacão" foi algo inesperado na carreira de Ricardo Neves, executivo de larga experiência na direção de grandes empresas, que foi empossado em abril como CEO da operação brasileira da everis, consultoria de negócios e TI do grupo NTT Data, com o desafio de dar continuidade ao forte crescimento da participação de mercado da operação no país.

"Já entrei fazendo parte do comitê de crise, com a responsabilidade de tomar decisões de como colocar os funcionários em segurança, estabelecer um ambiente teletrabalho de modo a que todos tivessem a tranquilidade e infraestrutura para poderem desempenhar suas funções no novo ambiente", explica Neves, acrescentado que seu próprio "on boarding" foi realizado de maneira totalmente virtual, algo que poderemos considerar "inusitado" para um cargo de tamanha responsabilidade.    

Foi uma boa surpresa constatar como a cultura e os valores de liberdade com responsabilidade da empresa foram absorvidos pelos colaboradores, uma vez que não houve qualquer descontinuidade do trabalho. "Ao invés de comprarmos equipamentos, cadeiras, acessórios, etc, para as pessoas montarem suas estações de trabalho em casa, como muitas companhias fizeram, resolvemos simplificar com um crédito na conta dos colaboradores para que eles fizessem suas opções, sem obrigação de prestação de contas".

Do ponto de vista de apoiar os clientes, a everis disponibilizou uma ferramenta criada pela sua própria equipe, utilizada em seu centro de serviços em Uberlândia, para que fosse possível medir a produtividade dos colaboradores remotos nesse período de pós-covid.

Como um dos participantes do movimento "não demita", a everis também se preocupou em promover iniciativas de integração de forma digital, como "Happy Hour com CEO", quando Neves respondia perguntas de qualquer funcionário; no período junino, os funcionários promoveram um "arraial virtual"  onde numa "live" até uma dança de quadrilha foi improvisada e todos se fantasiaram, inclusive os altos executivos da corporação.

Nesse período a everis também acelerou o programa Digital Festival of Leaning para formação de jovens em tecnologia; de treinamento interno, que resultaram no aumento do número de certificações e feed backs positivos na formação de recursos humanos. "Creio que esse foi um dos motivos de mais orgulho que tive nesse tempo, ver os jovens aproveitarem o tempo para investirem em sua formação e carreira na empresa", enfatiza Neves.

Transformação digital

Neves ressalta que nesse período muitas empresas decidiram acelerar para promover a transformação digital, não só por que estavam "surfando bem" nessa onda, mas também para aqueles que estavam com problemas para atender as demandas repentinas em decorrência da pandemia.

Para esse desafio, a everis usou sua plataforma de inteligência artificial batizada de Eva, que permitiu uma aproximação das empresas e os pequenos varejistas resolvendo problemas de logística.

Ela serviu também para que uma empresa de utilities desse vazão ao pico de ligações por ocasião de um vendaval no Sul do país, dando retorno às inúmeras ligações dos consumidores.

A everis, uma empresa do grupo NTT tem uma forte atuação no mercado de inovação em Saúde, motivo pelo qual está desenvolvendo um projeto de aceleração de processamento de imagem, financiado pela NTT Disruption, permitirá monitoramento de quartos hospitalares, alertas para UTI, etc, iniciativa que vai gerar ainda aprendizado pare profissionais do setor.

Retorno ao trabalho

A empresa tem uma solução "phigital", plataforma aberta que através de API conecta-se com software de reconhecimento de temperatura, e está sendo empregada numa loja conceito para se evitar contato entre pessoas. Ele vai definir o posicionamento dos clientes nas lojas e das pessoas no escritório dos clientes.

O CEO da everis conta que a empresa está preparando várias ações para volta ao trabalho, fazendo pilotos com uma plataforma de  acompanhamento da saúde da pessoas; um QR Code para acesso a área de escritório; um aplicativo de celular para determinar quais pessoas trabalharam junto em determinados dias; uma nova sinalização no escritório com os protocolos exigido pela Saúde.

A everis decidiu também aproveitar a oportunidade para acelerar as discussões sobre a transformação de seu ambiente profissional futuro, a fim de torná-lo mais qualitativo e satisfatório para todos.

Para Neves, o futuro será mais fluido, mas está mais mal distribuído. "Como uma consultoria, nosso capital humano é determinante para o sucesso nos negócios. Por isto, é fundamental que invistamos em seu bem-estar no ambiente profissional a fim de assegurar que estejam sempre motivados a produzir e inovar para oferecer excelência de serviços e atendimento aos clientes", enfatiza.

Entre os 1319 colaboradores que responderam pesquisa realizada pela everis para entender o clima de "volta ao normal", 75% alegaram facilidade de manter o mesmo ritmo de trabalho, 64% afirmam ter mais tempo com a família e para lazer e 91% querem trabalhar mais remotamente depois da quarentena.

Com base nesses resultados, a everis pretende criar espaços de coworking espelhados por regiões geográficas que diminuam o tempo de locomoção do colaborador e seja adequado para atender os clientes eficientemente, mas o plano ainda não está definido.

Neves diz que a empresa passa por um bom momento, apesar da pandemia. Nesses últimos 4 meses ela contratou cerca de 500 funcionários e até final do ano deve contratar mais 500, o que deve totalizar uma equipe de quase 3 mil funcionários em 2020.

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