Empresas de TI intensificam lobby para que EUA intercedam contra medidas da China

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A Câmara de Comércio dos Estados Unidos intensificou o lobby para que o governo norte-americano interceda junto ao governo chinês para que flexibilize as novas medidas para compra de produtos e serviços de empresas de tecnologia do país, que têm dificultado a realização de negócios na China.

Por meio de uma carta assinada por 17 grupos empresariais, dirigida a funcionários-chave dos EUA, incluindo o secretário de Estado, John Kerry, o secretário do Tesouro, Jacob J. Lew, e o secretário de Comércio, Penny Pritzker, a Câmara de Comércio pede que o governo tome "medidas imediatas para trabalhar com as autoridades chinesas no sentido de reverter o número alarmante de medidas estipuladas pelas novas políticas, que impactam as empresas de tecnologia da informação e comunicações (TICs)", de acordo com cópia da carta a qual o The New York Times teve acesso.

As empresas de tecnologia, segundo o jornal americano, se vêem prejudicadas em meio ao aprofundamento do conflito entre a China e os EUA sobre a segurança online e de políticas que envolvem tecnologia.

Divergências

A relação entre a China e as empresas de tecnologia americanas tem sido tensas desde que vieram à tona as denúncias do ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), Edward Snowden, da existência de um programa de espionagem em massa das comunicações do governo em nível internacional, e principalmente depois que o Departamento de Justiça dos EUA indiciou, em maio do ano passado, cinco oficiais do Exército chinês, acusados de roubo de segredos industriais e comerciais dessas empresas.

A Câmara de Comércio já havia externado suas preocupações em outra carta enviada na semana passada a autoridades do Comitê de Segurança Cibernética do Partido Comunista chinês, pedindo o fim das regulamentações e da medida que estabelece a preferência de empresas e agências governamentais chinesas pelo uso de hardware e software nacionais. O texto diz que as novas regras "terão um impacto negativo significativo sobre as oportunidades do mercado para as empresas de TIC americanas na China".

A carta também diz que as políticas "levantam sérias dúvidas a respeito dos compromissos comerciais internacionais da China e os seus compromissos bilaterais com os EUA". Por fim, a entidade diz que a perda de receitas na China afetará, no longo prazo, a "capacidade das empresas americanas de investir em pesquisa e desenvolvimento, o que poderá também ter implicações em outras indústrias".

As empresas americanas estão particularmente preocupadas com a medida segundo a qual aquelas que quiserem vender tecnologia para bancos chineses terão de submeter seus produtos a testes de segurança, fornecer o código-fonte e usar algoritmos de criptografia chineses. Outro item de apreensão é o que estipula que os dados produzidos por empresas dentro da China devem ser armazenados no país, além de terem de fornecer as chaves de criptografia ao governo chinês.

Barreiras comerciais

Apesar do descontentamento da Câmara de Comércio, que representa grandes grupos empresariais do setor de alta tecnologia, a solução para o impasse não será fácil. A carta enviada ao Comitê de Segurança Cibernética chinês, a qual o The Times teve acesso, teve cópias remetidas a J. Michael Daniel, o coordenador de segurança cibernética no Conselho de Segurança Nacional; Robert Holleyman, representante comercial adjunto dos Estados Unidos; e Alex Niejelow, o chefe de gabinete para assuntos sobre propriedade intelectual dos EUA.

Os três funcionários escreveram um artigo em conjunto, publicado na quarta-feira, 4, no site de notícias Politico, no qual criticam as novas medidas chinesas classificando-as como "barreiras comerciais anticoncorrenciais". O artigo lista uma série de pontos de discórdia entre a China e os EUA sobre a política de tecnologia, e pede que a China a reconside as novas regras. Mas ao mesmo tempo critica o modelo chinês de governança online, que permite a censura, monitoramento e o controle da internet dentro de suas fronteiras.

"Os EUA vão permanecer firmes na nossa defesa da liberdade na internet e no modelo de governança da internet multiparticipativo, bem como continuar o nosso apoio a normas de comportamento no ciberespaço que facilitem o comércio internacional", escreveram os autores.

Embora o artigo, em última análise, apele à cooperação entre os EUA e a China, as numerosas divergências mostram o quão difícil deverá ser para se chegar a um acordo.

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