78% das jovens nunca pensam na possibilidade de uma carreira em cibersegurança

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Nos últimos anos, mais e mais mulheres têm ocupado posições importantes no mundo dos negócios, servindo como modelos para jovens. Apesar disso, a área de cibersegurança é inexplorada pelas mulheres, representando apenas 11% do total da força de trabalho no setor, de acordo com o estudo "Beyond 11 Percent: A Study into Why Women are not Entering Cybersecurity" da Kaspersky Lab, que mostra os motivos pelos quais a carreira em cibersegurança continua sendo um obstáculo para as mulheres.

Por exemplo, mulheres que trabalham com segurança cibernética se deparam com uma realidade comum: ser a única representante do sexo feminino em uma sala repleta de homens – este pode ser um dos principais motivos para que a maioria decida não seguir uma carreira na área de TI. É importante ressaltar que a falta de mulheres pode gerar uma bola de neve: quanto menos mulheres no setor, mais cedo elas perdem a vontade de querer ingressar na área. O Global Information Security Workforce Study, realizado pela (ISC)² e seu Centro de Educação e Segurança cibernética, mostra que 42% dos participantes concordam que é importante ter um modelo do próprio gênero em suas carreiras e metade das mulheres prefere trabalhar em um ambiente com uma distribuição igualitária entre os sexos. "Como o relatório confirma, muitas vezes, as jovens não conhecem, não se sentem preparadas e não veem referências importantes que as motivem a trabalhar em cibersegurança", disse Stuart Madnick, professor de tecnologia da informação e fundador do MIT Interdisciplinary Consortium for Improving Critical Infrastructure Cybersecurity.

O estudo também mostra que, em geral, as mulheres desconhecem as habilidades que os empregadores procuram e não têm certeza se possuem os atributos certos para o papel. Quando perguntado por que eles não decidiram perseguir uma carreira de segurança cibernética, as mulheres eram mais propensas do que os homens a afirmarem que não possuem experiência em codificação (57% vs. 43%), não têm interesse em computação (52% vs. 39 %), não têm conhecimento de cibersegurança (45% vs. 38%) e que não são suficientemente boas em matemática (38% vs. 25%). Claramente, a questão é de consciência, já que as empresas hoje não estão apenas procurando por codificadores. Habilidades como pensamento crítico e resolução de problemas são cruciais para uma carreira na área, mas a percepção da indústria de fora tende a se concentrar principalmente no lado técnico.

Foi caso de Noushin Shabab, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab que, desde que se mudou do Irã para a Austrália para prosseguir com sua carreira na área de engenharia reversa, notou que é uma das poucas mulheres no mar de homens que compõe o setor de segurança de TI. "Quando jovem era sempre fascinada por enigmas e jogos de tabuleiro, que se tornaram em amor por programação e, eventualmente, como uma carreira como pesquisadora de segurança. Trabalhando com outros especialistas na Equipe de Pesquisa e Análise Global da Kaspersky Lab (GReAT), investigo ataques cibernéticos sofisticados e descubro APTs, campanhas de ciberespionagem, malware importante, ransomware e outras ameaças. O meu trabalho requer não só habilidades técnicas, mas também persistência, criatividade e colaboração para pensar de forma diferente e acompanhar os invasores mal-intencionados", diz Shabab.

Para ela, quando as mulheres começarem a descobrir a tal de segurança de TI, ela se tornará rapidamente uma escolha de carreira popular entre as candidatas. "Eu sou uma das sortudas que teve essa descoberta sozinha e, agora, quero incentivar mais mulheres a seguir minha liderança. Um componente interessante de ser uma pesquisadora de segurança é que, embora algumas pessoas enviem e recebam 100 e-mails por dia, posso proteger milhares delas de fraudes online o quanto antes. Além disso, o próprio fato dos hackers não trabalharem no horário normal, significa que meu papel é totalmente flexível. As pessoas podem me encontrar trabalhando em um laboratório, escritório, de casa ou mesmo do meu café favorito. Meu trabalho molda meu estilo de vida e me deixa constantemente pensando em novas formas de proteger pessoas ou empresas contra malware mal-intencionados – e eu adoro isso", finaliza.

Ainda de acordo o estudo "Beyond 11 Percent", outra razão que 78% das jovens nunca pensem na possibilidade seguir carreira nessa área é por causa dos estereótipos associados à cibersegurança. Na maioria das vezes, a terminologia associada à indústria, como "hackers", "geeks" e "nerds", geralmente é considerada como tendo conotações negativas.

"A imagem desse profissional está mudando, e com o WannaCry, mais da metade das jovens mulheres (58%) se depararam com a área na TV, rádio e notícias online – segundo outros estudos que realizamos. É uma questão de converter este interesse em algo mais", reforça Shabab.

Para reverter as estatísticas em relação às mulheres e a cibersegurança, a Kaspersky Lab conta com iniciativas, como a Kaspersky Lab Academy, que auxiliam na profissionalização e educação para o setor de segurança. Com programas como o Kaspersky Cybersecurity Certification Program e o Kaspersky Cyber Days, a empresa pretende intensificar e valorizar quaisquer características relevantes destas profissionais para a área.

A empresa de segurança russa também reforçou seu apoio em mitigar a diferença de gênero ao apoiar a primeira expedição euro-arábica apenas com mulheres ao Polo Norte. Juntamente com a exploradora Felicity Aston, a Kaspersky Lab irá levar 11 mulheres para uma expedição de 10 dias na região. Para Kaspersky Lab, essas 12 aventureiras, com origens tão diversas e únicas, servem para lembrar que qualquer pessoa, independente do gênero ou origem, podem alcançar coisas extraordinárias.

"Por ser uma empresa com mentes femininas brilhantes, que desafiam o status quo ao se tornarem codificadoras, programadoras e pesquisadoras de segurança online, nós queremos encorajar e capacitar as mulheres mais jovens a serem corajosas e fazer o inesperado – seja isso em direção ao Polo Norte, ou aprendendo a codificar e ingressar no mundo da cibersegurança", afirma Alex Moiseev, diretor de negócios da Kaspersky Lab.

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