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Como nos identificaremos no futuro?

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No “mundo real”, muitos de nós já temos uma identidade. Somos uma pessoa com nome, carteira de identidade, talvez também uma carteira de motorista ou uma conta bancária – o número de brasileiros bancarizados chegou a 182,2 milhões em dezembro de 2021.  

Mas quando vamos para o mundo online, nossa identidade se torna mais flexível. Você pode criar diferentes emails no seu nome, por exemplo, sem grandes burocracias. Mas tal liberdade tem um custo – é difícil comprovar uma identidade digitalmente, e muitas das abordagens atuais (e-mail + senha + código PIN SMS) apenas adicionam complexidade para o usuário, sem realmente resolver o maior problema – quais dessas identidades podem ser confiáveis? E esse é outro ponto: a confiança é essencial em nossas atividades diárias. Online, a confiança se torna ainda mais importante porque é muito mais fácil criar identidades falsas e muito mais difícil saber em quem se pode confiar.  

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que o atual paradigma de identidade é falho. Não é porque ele funcionou para nós por décadas, que funcionará indefinidamente. Os cidadãos brasileiros recebem muitos documentos diferentes – e cada estado emite seu próprio documento de identificação. Dessa forma, uma única pessoa pode ter diferentes documentos de identidade em diferentes locais, uma vez que esses dados não conversam.  

Já a CNH e o CPF, por exemplo, apesar de serem documentos com números de identificação, não se destinam a identificar civilmente as pessoas, apenas garantem que as pessoas terão acesso a benefícios ou exercem certas funções, como dirigir. Além disso, como os bancos de dados não são unificados, é mais difícil e leva mais tempo para cruzar os dados para confirmar se a pessoa é quem afirma ser sempre que ela precisa acessar um serviço, como abrir uma conta em um banco ou alugar um carro.  

Este cenário complexo e descentralizado cria muitos problemas para governos e cidadãos. Nesse sentido, cada vez mais o nosso dia a dia se tornou online e é preciso que as tecnologias acompanhem essas mudanças. E essa tecnologia precisa ser construída com base no princípio de que, uma vez estabelecida a confiança em uma identidade, essa identidade deve ser reutilizável – permitindo que a confiança seja transferida entre empresas e acumulada ao longo do tempo. Adotar essa abordagem beneficia a todos. A frustração do consumidor é reduzida – eles podem carregar sua identidade com eles em ecossistemas digitais, em vez de começar do zero a cada nova transação.  

As empresas também desfrutam desses benefícios, além de muito outros – uma abordagem reutilizável da identidade permite que elas acelerem seus processos com confiança – impulsionados por um processo de integração mais rápido e um compartilhamento de informações quando se trata de combater a fraude. E esses benefícios também não existem isoladamente – eles também ajudam a criar confiança entre o cliente e a empresa.  

E ao tornar essa confiança transferível, significa que a construção da confiança não começa do zero todas as vezes – impulsionando o crescimento, melhorando a satisfação do cliente e criando uma economia digital mais inclusiva para todos.  

Para além disso, a identidade digital faz parte de um tendência global relacionada à criação de uma sociedade verdadeiramente digital – sendo o principal case o projeto Aadhaar, identidade digital nacional indiana implementado na Índia em 2010.  

O avanço da tecnologia está cada vez mais conectado ao ambiente urbano e global, trazendo consistência, segurança e inovações para a relação entre as comunidades, as autoridades públicas e cada indivíduo. Além disso, uma sociedade digital abre novos caminhos para melhorias e criação de novos produtos e serviços, tornando a vida do seu cliente mais eficiente no dia a dia.  

Por isso, a identidade digital é parte fundamental de como os indivíduos conectam cada âmbito de suas vidas, criando oportunidades únicas para a criatividade e a disrupção. Governos e Identidades Digitais: Como smartphones, wifi ou computação em nuvem, a identidade digital está seguindo a mesma trajetória de crescimento em direção à adoção em massa.  

Daqui a cinco anos, muitos mais de nós usaremos canais digitais para verificar nossa identidade diariamente. E as ferramentas de tecnologia necessárias para catalisar o futuro deste setor já estão disponíveis. A Estônia, garota-propaganda para a adoção em massa da identificação digital, vem usando esse sistema há décadas.  

Nesse sentido, acessar os serviços do governo provavelmente será essencial nessa construção. Em 2021, a Austrália anunciou que a identidade digital será o foco principal de seu pacote de orçamento de tecnologia de US$ 800 milhões. O objetivo é ajudar a simplificar e reduzir o custo de interação com os serviços públicos.  

A definição de padrões para a identidade também ajuda a superar o risco de fragmentação do mercado à medida que as Identidades digitais se tornam mais difundidas na sociedade. Com padrões centralizados, o governo pode estabelecer um requisito de interoperabilidade, enquanto ainda permite que as empresas ofereçam diferenciação competitiva na qualidade do serviço prestado.  

Na Estônia, embora seja um país muito menor com uma forte estratégia de digitalização, eles têm um cartão de identificação físico, um cartão SIM e um aplicativo, todos vinculados a uma identidade digital única que é alimentada por blockchain há vários anos, os benefícios dos quais são amplamente experimentados em toda a sociedade.  

Segundo Toomas Hendrik Ilves, presidente do país entre 2006 e 2016, a digitalização dos serviços públicos reduziu a burocracia e deixou os cidadãos mais felizes. Mas não só. O impacto econômico foi significativo. Ele afirma que o país conseguiu poupar 2% do PIB graças à digitalização. Isso também trás desenvolvimentos mais amplos no que tange a regulamentação de dados. O objetivo principal é aumentar o nível de confiança dos indivíduos sobre como seus dados serão usados e incentivar um maior compartilhamento desses dados.  

Essa forma de identificação digital tem privacidade por design e empoderamento do cidadão em seu núcleo. Ainda nesse sentido, com as mudanças relacionadas ao Open Banking e a LGPD, por outro lado, dentro de alguns anos, empresas e governos podem não ter mais domínio sobre identidades digitais; o poder, em vez disso, terá mudado para pertencer aos próprios indivíduos. E essas pessoas poderão definir, gerenciar, compartilhar e retirar partes específicas de sua identidade com as organizações, levando em consideração suas necessidades. E como fica a identidade digital no Metaverso?  

A aposta do Facebook no “metaverso” mudando seu nome para Meta no ano passado vem despertando o interesse de pessoas e empresas para se prepararem para o novo universo virtual proposto por Mark Zuckerberg. E nesse sentido, como toda novidade tecnológica temos uma preocupação com a segurança digital dos usuários. Que perigos esse universo trás e como se proteger nesse novo ambiente? Envolvendo uma ampla gama de tecnologias, incluindo realidade aumentada, blockchain, 5G e inteligência artificial, o conceito de metaverso se expande quase diariamente. À medida que mais e mais novas pessoas habitam esses mundos virtuais, verificar a identidade dos alter-egos virtuais se tornará essencial. Nesse sentido, o vazamento de dados adquire uma dimensão muito maior. 

Por isso é essencial entender como as ferramentas disponíveis podem ajudar usuários a se proteger quando estiverem usando suas identidades digitais e aumentar as relações de confiança dentro da plataforma. Sem uma solução de identidade adaptada aos requisitos da próxima geração do metaverso, será impossível garantir que os avatares sejam realmente quem dizem ser. Para grandes empresas, celebridades e empresários, os imitadores podem ser altamente prejudiciais para suas marcas e abrir as portas para golpistas.  

Por isso, à medida que as poderosas possibilidades do mundo virtual continuam a se desdobrar, fica claro que um vínculo tangível com o mundo real será vital para a segurança. 

Para que o metaverso cumpra seu imenso potencial, sem ameaçar a segurança e o controle de seus usuários, ele precisa ser construído com a identidade digital em mente. 

Lincoln Ando, CEO e fundador da idwall. 

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