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Quando líderes inovadores vão para o espaço

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O quanto a sua empresa estaria vulnerável sem o principal mentor? Ou, mais do que isso, ela dispõe de uma liderança criativa que impulsiona a companhia em direção à inovação constante? Para responder a estas perguntas, é preciso focar em organizações que tiveram a ausência de líderes relevantes e entender como elas deram sequência aos negócios. 

Jeff Bezos, CEO e fundador da Amazon, referência em comércio eletrônico, deixou o comando da empresa recentemente após 27 anos no comando. O executivo ocupará o cargo de presidente do conselho e se prepara para outros voos, literalmente – ele era um dos tripulantes de uma viagem aeroespacial liderada por outra de suas empresas, a Blue Origin. 

A Amazon estava lá quando esse modelo de negócios voltado para o comércio eletrônico começou. Apesar de já haver outras empresas do segmento, a companhia impulsionou novas modalidades comerciais, tais como o market place (plataforma que conecta oferta e demanda de produtos ou serviços), e fez história ao implantar esse modelo mundo afora. Mais do que vender pela internet, a empresa disseminou algumas práticas que se tornaram interessantes para companhias inovadoras e digitais como “a reunião de duas pizzas” que ficou conhecida pelo caráter prático em que as reuniões internas não deveriam conter mais pessoas que não pudessem ser alimentadas com duas pizzas. Era uma forma de selecionar corretamente os talentos para resolver um problema, manter o foco no assunto e otimizar recursos. 

Esse ímpeto por inovação e essa tendência à simplicidade são ilustradas por outro conceito, o “one page business plan”, em que qualquer proposta interna para negócios ou produtos deve estar em uma única página. Se uma oportunidade puder ser explicada com tal simplicidade e conquistar o apoio dos próprios funcionários, pode fazer muito sentido para as organizações e deve ser olhada com atenção. 

Nos últimos anos, CEOs se revezaram no posto de “homem mais rico do mundo”. E, não coincidentemente, as empresas eram de tecnologia e inovadoras no mercado. A Microsoft, por exemplo, foi a primeira a observar a saída do fundador e líder, quando Bill Gates renunciou ao cargo em 2000. Foi a primeira vez que o mundo acompanhou um criador de uma empresa de tecnologia sair de cena quando o negócio estava no ápice. A Apple observou algo semelhante quando Steve Jobs deixou a empresa em 1985, fundador e principal líder na concepção de produtos. Jobs voltou ao cargo em 1997 e morreu em 2011. Essas empresas continuaram os negócios mesmo com a ausência dos mentores. Muitos, diante deste cenário, perguntam o quanto essas mentes eram essenciais. 

Diante disso, há o seguinte paradoxo: essas mentes inovadoras e criativas eram tão importantes na concepção dos modelos de empresas que souberam disseminar uma visão e filosofia de trabalho por todo o negócio. Além disso, incentivaram a cocriação ao redor de linhas de pensamento e inspiraram milhares de funcionários a contribuir no desenvolvimento de uma cultura única e em constante evolução. 

A lição deixada é sobre colocar a organização na frente do espelho, olhar nos próprios olhos e tentar enxergar se ela se transformou em algo que muda o tempo todo, tem identidade própria e está moldando o presente e o futuro do mercado – ou se depende de poucas mentes para liderar esta mudança. 

Além disso, é preciso observar ao redor e adiante, analisando a concorrência – seja convergente, quando ela vem de outras empresas do mesmo setor e pode acontecer naturalmente, seja não convergente, em que é praticada por companhias que atuam em outras áreas e vêm ocupar espaço num novo mercado. 

Líderes inovadores sempre fizeram as empresas maiores do que os personagens, garantindo a continuidade e o crescimento dos negócios. Colocaram a inovação no DNA do filho que geraram, sem possibilidade de voltar atrás, e apontaram um caminho sem volta chamado inovação digital. Essa prática não é apenas um setor que inova, mas todos o fazem quase como respiram, de maneira natural e necessária. Mais do que continuar relevantes em seus mercados, sempre se reinventam e criam os próximos passos para o futuro. 

Paulo Gorab, lider de Go-To-Market da KPMG & Distrito Leap.

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