IBM se beneficiaria com spinoff do negócio de software da área de consultoria, afirma analista

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Ao longo dos seus mais de cem anos de história, a IBM sempre demonstrou uma notável capacidade de se reinventar e se adaptar aos avanços tecnológicos e às mudanças no mercado, abandonando negócios que deixaram de ser lucrativos para investir em áreas em rápido crescimento. Foi assim, por exemplo, em 2002, quando comprou a área de consultoria da PricewaterhouseCoopers, e em 2005, quando vendeu a divisão de PCs à chinesa Lenovo, e no ano passado, com a venda do negócio de servidores low-end x86, também para a fabricante chinesa.

Agora, depois de consolidar nas suas áreas de software, consultoria, sistemas e análise de dados, a IBM se prepara para se tornar uma one-stop shop — onde o cliente pode obter tudo o que precisa — na oferta de software de negócios fornecido por meio da nuvem, embora ela ainda deva manter por um bom tempo o modelo tradicional de venda de licenças (on premises), que ainda representa cerca de um quarto das suas vendas totais de software.

No entanto, analistas avaliam que manter a oferta de software on premises juntamente com o novo negócio de construção de infraestrutura de nuvem para a entrega de software como serviço pode prejudicar os esforços da empresa para avançar com o negócio de computação em nuvem.

Atualmente, a IBM ainda mantém duas linhas diferentes de para venda de software em um único segmento de negócio, chamado de Software. Para o analista de negócios e investimentos Jay Wei, que mantém uma coluna no site Seeking Alpha, esta agregação faz pouco sentido para os negócios, porque as duas equipes de vendas provavelmente abordam os mesmo clientes, e em diferentes mercados no mundo. "Como uma grande parte das vendas de software da companhia vem do exterior, na forma de taxas de licença, seria muito mais eficaz se ela tivesse uma área dedicada, separada, tentando conquistar o maior número possível de clientes do modelo tradicional de venda de software nos mercados em desenvolvimento, onde o modelo on premises ainda é bastante utilizado."

Recuperar valor de mercado

Para Wei, ter uma operação independente do negócio de software on premises também faz sentido em termos de oferta de produtos. "Embora o software oferecido na nuvem seja atualizado automaticamente e possa ser escalável conforme as necessidades dos clientes mudam, o software instalado nas dependências da empresa precisa contar com consultores da IBM. Seria altamente ineficaz para ela ter apenas um grupo desenvolvimento de software para fornecer produtos diferentes para as duas equipes de vendas."

Nesse sentido, o analista defende que a separação do negócio de instalação de software da área de serviços de consultoria seria benéfica para os acionistas da IBM. De fato, nos últimos três anos, desde atingiram a marca de US$ 200, as ações da companhia caíram e têm ficado muito aquém das expectativas dos investidores. Para Wei, a cisão do negócio de software não só conseguiria recuperar parte do valor de mercado perdido e melhorar a percepção dos investidores sobre a empresa, mas também resultaria em uma avaliação mais adequada sobre o negócio de software. "Afinal de contas, há um longo caminho a percorrer antes que todos passem para a nuvem. E um monte de dinheiro ainda pode ser revertido aos acionistas até que um dia o negócio seja dissolvido."

O analista vai além. Segundo Wei, ao contrário do que fez com as divisões de PCs e servidores x86, a IBM não pode simplesmente vender seu negócio de software on premises. "A venda direta nunca poderia acontecer, mesmo que a IBM se comprometesse a montar uma equipe de projeto de software dedicada para a operação on premises. Pois, quaisquer semelhanças nas funcionalidades dos softwares fornecidos na nuvem pela IBM com os do portfólio adquirido por outra empresa poderiam afetar negativamente a competitiva da companhia. Por isso, o spinoff seria o melhor negócio para os acionistas e solução para o aumento das vendas de software da IBM."

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