Fraudes em pagamentos digitais aumentaram com isolamento social, diz estudo

1
26


As incidências de fraudes em pagamentos digitais aumentaram durante a pandemia do novo coronavírus. É o que mostrou um estudo global realizado pela consultoria Javelin Strategy & Research, com o apoio do SAS. A pesquisa ouviu 120 executivos do setor de pagamentos e segurança em 20 países, e capturou o sentimento do período anterior ao surto da COVID-19, durante os meses de quarentena e também após a reabertura das economias.

De acordo com o estudo, as fraudes em pagamentos digitais tornaram-se mais sofisticadas nos últimos dois anos, mas o movimento passou por aceleração nos últimos nove meses, especialmente devido às mudanças na forma como os consumidores interagem com os serviços financeiros e com o comércio. Devido ao isolamento, foi observado o crescimento no uso de pagamentos digitais pelos consumidores, mas nem sempre essas novas experiências de pagamentos foram acompanhadas por medidas adequadas de mitigação de fraude, especialmente devido a uma falta de compreensão sobre como os criminosos vão explorar a tecnologia.

O relatório ressalta ainda que cada país e cada forma de pagamento traz seus próprios desafios. No entanto, existem muitos elementos em comum, indicando que os criminosos são coordenados em seus ataques, compartilham informações e trabalham juntos para atuar criminalmente. Ainda segundo os pesquisadores, a compreensão pelas instituições financeiras de como as fraudes têm ocorrido em canais digitais em todo o mundo é o primeiro passo para reduzir os riscos. "É fundamental entender como a fraude ocorre para reduzir riscos quando novos métodos de pagamento são implantados. Muitas vezes, novos mecanismos de pagamentos são lançados antes da mitigação de riscos e controles estarem disponíveis", escrevem os pesquisadores no documento.

O estudo comenta sobre o lançamento do Pix no Brasil e sobre a importância de as instituições financeiras monitorarem e identificarem operações fraudulentas em tempo real. O relatório avalia que, com o custo de transação do Pix sendo fixado pelo Banco Central, o ganho das instituições financeiras não será baseado na receita de intercâmbio, o que pode compensar perdas por fraude. "As estratégias de gestão de fraude (das instituições financeiras) precisam levar isso em consideração, monitorando todas as transações em tempo real e com recursos analíticos que podem identificar rapidamente esquemas de fraude", anota o documento.

Os pesquisadores também lançaram luz sobre os principais pontos de atenção relacionados a riscos de fraudes em meios de pagamentos. O documento avalia que o aumento do acesso ao comércio eletrônico em cada um dos países também representa um risco maior para as instituições financeiras, que precisam combater muitos tipos de fraudes simultaneamente. Tecnologia e recursos analíticos precisam ser colocados em camadas para identificar as várias ameaças em tempo real, diz o relatório. "A autenticação está se tornando um problema maior com pagamentos móveis e a troca constante de chips (SIM card). O que costumava ser o dispositivo conhecido está mudando, e não vemos essa informação em nosso sistema de gerenciamento de fraude. Esta é uma área que precisamos melhorar para termos certeza que sabemos quem está fazendo a compra", avalia um executivo brasileiro do setor de pagamento ouvido no estudo.

Outras conclusões e recomendações destacadas no estudo:

Os pagamentos digitais apresentam um risco global crescente
Embora as tecnologias de pagamento predominantes variem por região, as tendências de fraude têm semelhanças significativas entre as geografias. Isso indica que os criminosos coordenam e compartilham informações de forma mais aberta do que as instituições financeiras, o que lhes dá uma vantagem significativa para impedir os controles de fraude. A fraude entre fronteiras é cada vez mais comum.

A fraude digital está aumentando em frequência e sofisticação

O arsenal de truques dos fraudadores e das redes criminosas está se tornando tão avançado quanto as tecnologias usadas para detectar suas atividades. A engenharia social, os esquemas de phishing e de identidade e a variedade de métodos de pagamento digital estão mudando as chances a favor dos bandidos. As organizações devem estar cientes de que os novos mecanismos de pagamento são especialmente direcionados devido aos controles de mitigação de risco ineficazes no lançamento.

As organizações de serviços financeiros precisam de tecnologia em camadas e recursos analíticos para identificar ameaças sobrepostas em tempo real

A complexidade dos vetores de ataque dos criminosos exige uma abordagem em camadas para prevenir e detectar fraudes, além de ter um meio de orquestrar estratégias e atividades de investigação. Ações automatizadas e gerenciamento preditivo de casos com base em inteligência artificial e aprendizado de máquina podem ajudar a reduzir a dependência da equipe para monitorar atividades de fraude e aumentar a eficiência.

Os dados são essenciais

Usar dados para análises em tempo real e ações automatizadas será crucial para o sucesso neste novo normal digital. As capacidades variam com base na maturidade tecnológica, mas as organizações em todos os estágios têm uma necessidade comum de tantos dados em tempo real quanto possível para tomar decisões eficazes. É importante ressaltar que a implantação de infraestrutura em nuvem para sistemas de gerenciamento de fraudes aumenta os recursos de ingestão de dados.

O estudo The Escalation of Digital Fraud: Impacts of the Coronavirus on Global Fraud Challenges, elaborado pela Javelin Strategy & Research, com o apoio do SAS, pode ser acessado em aqui.

1 COMENTÁRIO

Deixe seu comentário