SAP 'reinventa' ERP e cria ecossistema baseado no tripé big data, nuvem e IoT

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Depois de reinar absoluta por mais de duas décadas no mercado de sistemas de gestão empresarial (ERP) para grandes corporações, a SAP agora está remodelando a sua linha de softwares e praticamente reinventando o ERP com o lançamento de um novo conjunto de soluções ­— que na realidade é muito mais do que um sistema de gestão integrada — na esperança de convencer os clientes corporativos de que seus produtos podem ajudá-los a simplificar suas operações e alcançar inovação nos negócios.

Além do aperfeiçoamento da sua linha principal de programas de planejamento corporativo, a empresa lançou novos softwares que tem por base o tripé computação em nuvem, big data e Internet das Coisas (IoT) e que vão trabalhar em conjunto, usando uma única interface de usuário.

O anúncio desse novo ecossistema de soluções foi feito durante o SAP TechEd, que acontece até esta quinta-feira, 22, em Las Vegas, nos EUA, evento cujo objetivo apresentar suas mais recentes inovações tecnológicas a clientes, parceiros de negócios e desenvolvedores de aplicativos. Em todos os painéis, a ênfase da companhia alemã foi que seus softwares podem atender a todos os principais segmentos da economia, da manufatura ao varejo, da siderurgia às petroquímicas.

Os destaques foram o SAP HANA Vora, plataforma baseada em Hadoop, framework de análise de distribuição de dados para aplicações corporativas, análise de big data e Internet das Coisas, o SAP HANA Cloud Platform, a versão em nuvem da plataforma de computação in-memory, o SAP Vehicles Network e SAP HANA SPS11 — que está prestes a ser lançado ­—, além da nova geração de sofwares analíticos integrados em uma única plataforma denominada Cloud for Analytics, que é oferecida como um serviço por meio de uma nuvem pública.

"Com o SAP HANA Cloud Platform, estamos fornecendo uma plataforma aberta para nossos clientes e parceiros. Além de estarmos oferecendo uma experiência digital perfeita, portanto, permitindo o avanço da economia digital", disse Bernd Leukert, membro do Conselho Executivo da SAP AG para produtos e inovações. "No mundo digital de hoje todas as luzes estão verde para uma nova experiência digital, e a SAP está empenhada em ser uma parte dessa mudança", disse ele durante a abertura do evento. O executivo citou a parceria com a Samsung Pay que está usando o SAP Vehicles Network integrado com o SAP HANA Cloud Platform. "Com isso, a Samsung está acelerando a adoção de serviços de mobilidade da economia digital mercado", disse Leukert.

O dado mais importante, da perspectiva de estratégia da empresa, é que a aposta na nuvem já começa a render dividendos. O último balanço da SAP, divulgado na quarta-feira, 21, referente ao terceiro trimestre deste ano, mostra que a receita de 4,9 bilhões de euros foi puxada pela expansão das ofertas de softwares na nuvem. A receita da unidade de computação em nuvem com assinaturas de nuvem e suporte cresceu 116% ano sobre ano, para cerca de 600 milhões euros. Além disso, as novas reservas de nuvem — medida chave para avaliar o sucesso de vendas na nuvem — aumentaram 102% no terceiro trimestre, para 216 milhões de euros.

Plataforma unificada

O resultado, embora tenha surpreendido os mercados, já que em janeiro a SAP havia reduzido a perspectiva de lucro operacional devido ao investimento em nuvem, reflete a mudança radical promovida pela companhia em seus produtos. No início do ano, a empresa o lançou o SAP S/4HANA, que compõem a sua mais recente geração do pacote de soluções para negócios da empresa, o SAP Business Suite, agora renovado como uma plataforma unificada, que promete reduzir o tempo necessário para compilar contas e projeções corporativas para minutos, em vez de horas ou dias, analisando enormes quantidades de dados na memória local em vez de nas unidades de armazenamento.

Em junho, a gigante mundial do software já tinha anunciado a atualização de seu software de análise preditiva para incluir a integração para grandes dados e IoT analytics. A maior integração do SAP HANA analytics com IoT visa atender clientes que aplicam a análise para a enorme quantidade de dados gerados em aplicações da Internet das Coisas.

A maior integração do SAP HANA analytics com IoT atende ao aumento do número de clientes que necessitam de análise de dados gerados em aplicações da Internet das coisas e dá SAP uma dupla vantagem em dois segmentos cruciais no mercado, ou seja, a análise preditiva e IoT.

A fabricante de software desenvolveu várias ferramentas que, segundo Byron Banks, vice-presidente de Analytics & Big Data da SAP, fornecem a capacidade de análise preditiva para analistas de negócios e outros usuários para detectar oportunidades, fazer previsões e tomar decisões em tempo real. Esta é uma característica, segundo ele, que diferencia as soluções da SAP dos demais fornecedores de tecnologias preditivas, já que há inúmeros no mercado. Uma área na qual Banks avalia que essas ferramentas podem desempenhar um papel importante é a de TI.

Nos dois últimos anos, a SAP tem investido pesadamente para desenvolver ferramentas de Internet das Coisas e ampliar ainda mais seu portfólio de produtos para esse segmento. O mais novo componente desse catálogo é o SAP Vehicles Network, uma plataforma de serviços de nuvem que permite aos motoristas compartilhar dados a partir de dispositivos e máquinas conectadas, bem como às empresas oferecer seguros, serviços de conveniência para veículos e serviços de mobilidade, independentes de dispositivos ou veículos.

Os tipos de aplicações são os mais variados possíveis, como explica Gil Perez, vice-presidente sênior da divisão IoT & Customer Innovation. Segundo ele, abrangem desde tarefas como ativar bombas de gasolina, fazer reserva de estacionamento, abrir de portões de garagem até o pagamento de estacionamento por meio de uma carteira móvel ou app. "É uma solução fim a fim, que atende a múltiplos processos e permite criar novos serviços de mobilidade e aplicativos para uso do consumidor. Além disso, os motoristas podem se beneficiar de serviços de telefonia móvel e de localização geográfica. Perez cita como uma das facilidades a reserva de estacionamento. "Um dos maiores problemas hoje nas grandes cidades é a escassez de vagas nos estacionamentos, o que contribui para os problemas de tráfego."

Segundo o executivo, a Internet das Coisas está começando a ganhar impulso em vários setores, tais como varejo, petróleo e gás, transportes, seguros e vários outros, e permitirá que as organizações se transformem e alcancem um novo nível de eficiência, já que os clientes agora estão olhando para o valor do negócio.

Divisor de águas

O chamado pulo do gato da gigante alemã do software ao remodelar toda a sua linha de softwares foi fazer com estes pudessem aproveitar o poder do SAP HANA. Assim também fez com o SAP Hana Vora, lançado recentemente, um engine que utiliza o conceito de computação in-memory para entregar análises interativas no Hadoop — plataforma de big data de código aberto, que roda em cima do servidor Apache Spark em distribuições Linux. A ferramenta é projetada para ajudar cientistas e desenvolvedores de dados combinarem dados corporativos e externos em suas análises.

Isso, segundo Michael Eacrett, vice-presidente de gerenciamento de produtos, SAP HANA, significa que os dados recebidos de clientes, parceiros de negócios e dispositivos inteligentes, redes sociais, sites, bases de dados geradas por atividades de consumo, tráfego e fluxo de pessoas, etc., podem ser integrados com processos internos da empresa, dando elas um melhor contexto para a tomada de decisões. De acordo com Eacrett, o Vora faz tudo isso em tempo real. "O Vora foi construído como uma extensão do Apache Spark, e é efetivamente um mecanismo de consulta in-memory que pode fazer o processo de análise de dados em profundidade e mais orientado aos processos de negócios."

A SAP diz que o S/4HANA representa "a fundação do negócio digital do século 21" por interligar todos os aspectos da cadeia de valor digital em tempo real para repensar completamente negócio. Apelos de marketing à parte, o fato é que o grupo alemão parece ter encontrado uma forma de também se reiventar, depois de alguns anos enfrentando as dificuldades de um mercado de ERP praticamente saturado. E a aposta em analytics, bem como o mercado de Internet das Coisas, representa um divisor de águas na história da empresa.

São mercados que permanecem relativamente inexplorados e só agora começam a ganhar a atenção de outros players de software como Salesforce e Oracle, outro grande concorrente da SAP, geralmente considerada retardatária em explorar novos mercados. Um sinal de que a estratégia está no rumo certo foi o anúncio durante o evento em Las Vegas de que o SAP Business Suite 4 SAP HANA (SAP S/4HANA) ultrapassou 1,3 mil clientes desde o lançamento em fevereiro deste ano, um feito jamais alcançado desde o lançamento do SAP R/3, em 1995.

"A computação em memória é hoje uma realidade e no futuro será a computação analítica em memória em tempo real, em que as organizações usarão a plataforma de serviços preditivos para acessar suas bases de dados e se conectarem com o Hadoop, com outros sistemas, como logística, finanças, gestão de estoque e outros", prevê Sven Denecken, vice-presidente global da SAP AG.

*O jornalista viajou a Las Vegas a convite da empresa.

2 COMENTÁRIOS

  1. Realmente a SAP se inova mais uma vez dando um passo importante em consolidar sua estratégia de softwares para análise de grande volume de dados e ainda oferecendo todas soluções em nuvens. Para os executivos de TI, dependendo do grau de maturidade da arquitetura de seus dados (de nada vale esta solução se os dados não estiverem organizados e conhecidos da organização para análise e extração de informações com análise combinatória para tomada de decisão) esta pode ser uma válvula de escape interessante para reduzir os custos de grandes infra-estruturas para usar esta massa de dados. Outro ponto bem positivo, é o fato da empresa estar indo de vento em popa, quanto a terceiração de softwares de ERP na nuvem. Isto é uma tacada de mestre, pois oferece a possibilidade de migração de estruturas de ERP em infra própria para infra de nuvem. A única questão é que se esteja atento na contratação destes serviços, quanto aos desenvolvimentos (os benditos programas Z e Y) feitos "in house") e customizações particulares do mercado de atuação. Imagino que a SAP já se tenha deparado com estas questões e deva ter meios técnicos para atender a todos ramos, mercados e indústrias.

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