Falta capacidade de telecom para atender às necessidades das smartgrids

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As empresas de energia já estão se movimentando no sentido de implementarem no Brasil redes de energia inteligentes, ou smartgrids. A essência do conceito é dotar as redes de energia elétrica de capacidade de comunicação bidirecional em qualquer ponto da infraestrutura. Com isso, é possível não apenas monitorar as redes e gerenciar remotamente os serviços, mas também oferecer serviços de valor adicionado, inclusive serviços de telecomunicações. O tema foi discutido nesta quarta, 26, no 1o Forum Smartgrids Telecom, organizado pelas revistas TELETIME e TI Inside. Para Pedro Jatobá, presidente da Aptel (entidade que representa empresas de energia com infraestrutura de telecomunicações), a implantação do conceito é o equivalente, para empresas de energia, à terceira geração das redes de telefonia celular. "O grande desafio para chegarmos a um ambiente de smartgrids é que as redes de energia hoje chegam a 98% dos domicílios brasileiros, mas não existe rede de telecomunicações com tamanha penetração para prover a capacidade de comunicação necessária", diz Jatobá. Ele lembra também que as redes de telecom hoje existentes não têm capacidade de prover a capacidade de comunicação necessária às smartgrids nos níveis de confiabilidade e disponibilidade necessários. "O caminho natural é o de parcerias entre empresas de telecom e energia. Mas se as empreas de telecomunicações não conseguirem prover essa capacidade, as empresas de energia vão construir suas próprias redes", diz Jatobá. "Não adianta vir com atendimento de call center ou atendente para o mercado de atacado", ironizou o presidente da Aptel.
Novas variáveis
O conceito de smartgrids introduz novas variáveis no consumo de energia. Primeiro, a possibilidade de roaming, como acontece no setor de telecomunicações. O usuário de energia (o proprietário de um carro elétrico, por exemplo) pode se conectar a qualquer ponto da rede e mesmo assim ter o controle total sobre seus gastos. Outra variável importante é a possibilidade de que os próprios consumidores forneçam energia à rede, com fontes alternativas de geração caseiras (paineis solares, turbinas eólicas etc). Por fim, dentro do conceito de smartgrids, as empresas de energia passam a participar ativamente do provimento de multisserviços para lares conectados, o que não acontecia até aqui.
Estágios iniciais
Bruno Regueira, executivo responsável pela área de smartgrids da IBM no Brasil, explica que hoje, em todo mundo, as redes inteligentes de energia ainda estão nos estágios iniciais e há poucos projetos sendo implantados. A maior parte deles ainda está no nível de instalação de medidores eletrônicos de energia, que podem ser controlados remotamente e fornecer dados para telemetria em tempo real. Há cerca de 30 projetos desse tipo em todo mundo, com cerca de 45 milhões de medidores. O Brasil, por exemplo, tem sozinho 65 milhões de medidores instalados. "Esse jogo vai mudar agora que a China resolveu iniciar o processo de modernização de sua rede de energia. Eles vão substituir, a cada ano, 560 milhões de medidores de energia, e pretendem ter todos trocados em cinco anos", explicou.

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