Cidades do interior ganham relevância no Índice de Cidades Empreendedoras da Endeavor e da Enap

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Municípios do interior e capitais fora do eixo Rio – São Paulo – BH estão reunindo as condições propícias para o desenvolvimento de novos negócios, de acordo com o Índice de Cidades Empreendedoras (ICE). O estudo – realizado pela Endeavor, rede global formada pelos empreendedores e empreendedoras à frente das scale-ups que mais crescem no mundo, em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) – foi lançado nesta quinta-feira, 28. Na edição 2020 do levantamento, foram analisados os cenários das 100 cidades mais populosas do país, avaliando as condições relacionadas a ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura empreendedora.

O levantamento é o principal raio-x do ambiente de negócios brasileiro e serve como norteador para o avanço do setor, revelando para gestores públicos quais aspectos precisam ser valorizados ou melhorados nas cidades com base em iniciativas inspiradoras desenvolvidas em outras regiões e oportunidades para quem quer empreender.

No ranking geral, que considera o desempenho dos municípios nos sete pilares avaliados, figuram entre os primeiros colocados quatro cidades do interior e capitais como Florianópolis, Vitória e Porto Alegre. "É evidente que cidades como São Paulo continuam tendo muita relevância no Índice, principalmente considerando aspectos como acesso a capital. Porém, nos outros pilares, pelo menos metade das dez cidades com melhor desempenho não são capitais", comenta Renata Mendes, diretora de Relações Institucionais e Governamentais da Endeavor. "Para a Endeavor essa informação é muito importante, já que atuamos preocupados com o desenvolvimento dos ecossistemas regionais".

Essa é a primeira vez que o Índice de Cidades Empreendedoras é realizado em parceria com a Enap. A mudança permitiu ampliar o número de municípios analisados, elevando a  abrangência e o impacto do levantamento, segundo Renata, da Endeavor. "Esta é uma versão mais madura e melhorada do estudo, que deve servir como um guia para definição de metas e prioridades das gestões municipais para possibilitar o crescimento de novos negócios".

"O ICE comprova que existe muito mais vontade de empreender no Brasil do que o que vemos no Sul e Sudeste", ressalta Diogo Costa, presidente da Enap.  Além disso, ele destaca que o relatório também traz contribuições para o período pós-pandemia. "Em épocas como a que vivemos, pensamos muito em ações, principalmente nas direcionadas para setores específicos. O que vemos em um guia como este é que, no longo prazo, as instituições são mais importantes do que as ações. Instituições precisam ser construídas para que o mercado seja ágil, que a abertura de empresas seja simplificada, que a execução de contratos seja facilitada. Essa também é uma visão de longo prazo que vemos no relatório: não apenas é preciso haver ações específicas, mas também é necessário fortalecer as instituições que atuam para impulsionar o empreendedorismo", enfatiza.

Descentralização das cidades empreendedoras

Além de liderar o ranking geral, a cidade de São Paulo, polo econômico do país, figura também nas primeiras posições de outros dois pilares importantes analisados pelo Índice: em acesso a capital, que envolve dados relativos ao capital disponível, como operações de crédito por município, proporção relativa de capital de risco e capital poupado per capita; e também em infraestrutura, que avalia questões como transporte interurbano, acesso à internet rápida, preço médio do m² e custo da energia. Nesse último pilar, oito das dez cidades elencadas estão no estado paulista.

Porém, o protagonismo nos demais pilares é descentralizado, demonstrando que, aos poucos, o ambiente de negócios em outras regiões do país está ganhando relevância e gerando novas oportunidades.

No pilar de ambiente regulatório, por exemplo, em que são avaliadas questões como tempo de processos, tributação e complexidade burocrática, o topo da lista é ocupado por Macapá (AP). Já no pilar mercado, que analisa o  desempenho econômico e presença de clientes potenciais, a cidade de Jundiaí (SP) teve o melhor desempenho, revelando o potencial para atração de novos negócios e o ambiente de competitividade no município. "Há coisas para serem aprendidas em locais que não são tão óbvios", garante Diana Coutinho, diretora de Altos Estudos da Enap.

A predominância dos municípios do Norte e Nordeste é observada no pilar de cultura empreendedora – todas as cidades em destaque estão localizadas nessas duas regiões. Essa dimensão leva em consideração a satisfação em empreender, apoio familiar, probabilidade de abertura de negócios e facilidade pessoal para abertura e manutenção de negócios. Porto Velho (RO) lidera o ranking, evidenciando a cultura empreendedora forte e a imagem mais positiva do empreendedorismo na população.

As cidades da região Sul tiveram desempenho melhor no pilar de inovação, ocupando metade das posições, com Florianópolis (SC) em primeiro lugar. Para elencar os municípios, foram examinados os indicadores como proporção de mestres e doutores em ciência e tecnologia, assim como de funcionários nessa área, investimentos do BNDES e da Finep, número de patentes registradas, representatividade da indústria inovadora e da economia criativa, entre outros.

A capital catarinense e cidades como Vitória (ES), Niterói (RJ) e Juiz de Fora  (MG) aparecem na dianteira no pilar de capital humano, evidenciando a performance desses municípios na oferta de mão de obra básica e qualificada. Fatores como alto desempenho dos alunos no Enem, alta proporção de adultos com ensino médio completo, de matriculados no ensino técnico e profissionalizante, de adultos com ensino superior completo e de alunos com formação superior em cursos avaliados como sendo de alta qualidade compõem o resultado.

Para os próximos anos, a expectativa é de que se perceba no Índice o reflexo do amadurecimento digital provocado pela pandemia de coronavírus, desencadeada em 2020. "A digitalização foi muito acelerada ao longo dos últimos meses. Processos que aconteceriam em anos precisaram ser adiantados e finalizados em meses, com grandes investimentos ocorrendo para essas empresas que oferecem soluções. Tudo isso deve, nos próximos anos, gerar iniciativas e movimentos que serão percebidos pelo Índice", avalia Renata, da Endeavor.

Confira a posição das cidades no Índice de Cidades Empreendedoras 2020:

Ranking geral

1ª São Paulo

6ª São José dos Campos

2ª Florianópolis

7ª São Bernardo do Campo

3ª Osasco

8ª Jundiaí

4ª Vitória

9ª Porto Alegre

5ª Brasília

10ª Rio de Janeiro


Pilar Ambiente Regulatório 

AP

Macapá

ES

Vitória

RJ

São Gonçalo

SP

São Paulo

RR

Boa Vista

RJ

Campos dos Goytacazes

RJ

Niterói

SP

Praia Grande

RJ

Rio de Janeiro

RJ

Belford Roxo



Pilar Infraestrutura

SP

São Paulo

PE

Recife

SP

Limeira

SP

São Bernardo do Campo

SP

Franca

SP

Jundiaí

SP

Santos

SP

Guarulhos

SP

Mogi das Cruzes

DF

Brasília


Pilar Mercado

SP

Jundiaí

RS

Canoas

DF

Brasília

SP

São José dos Campos

SP

Mauá

SP

Diadema

SP

São Paulo

BA

Camaçari

SP

Osasco

SP

Campinas



Pilar Acesso a Capital

SP

São Paulo

SP

Osasco

RS

Porto Alegre

RJ

Rio de Janeiro

MG

Belo Horizonte

SC

Florianópolis

PR

Curitiba

ES

Vitória

DF

Brasília

ES

Vila Velha


Pilar Inovação

SC

Florianópolis

RS

Caxias do Sul

SP

Campinas

SC

Joinville

SP

Limeira

PR

Curitiba

SP

São Bernardo do Campo

RS

Porto Alegre

SP

São José dos Campos

RJ

Niterói



Pilar Capital Humano

SC

Florianópolis

ES

Vitória

RJ

Niterói

MG

Juiz de Fora

TO

Palmas

RS

Santa Maria

PR

Curitiba

SP

Jundiaí

MG

Belo Horizonte

ES

Vila Velha


Pilar Cultura Empreendedora

RO

Porto Velho

AM

Manaus

AC

Rio Branco

AL

Maceió

PE

Recife

PE

Caruaru

PE

Jaboatão dos Guararapes

PE

Olinda

PE

Paulista

PE

Petrolina

 

Sobre o Índice de Cidades Empreendedoras 2020

O Índice de Cidades Empreendedoras 2020 é um estudo realizado pela Endeavor Brasil em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), que avalia o ambiente empreendedor dos 100 maiores municípios brasileiros sob a ótica de uma série de indicadores, distribuídos nos 7 pilares que mais impactam a vida do empreendedor: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura empreendedora.

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