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Qual o futuro do Bitcoin?

Postado em: 30/03/2015, às 20:59 por Denis Augusto Araújo de Souza

Quando Satoshi Nakamoto criou o bitcoin (BTC) como um conceito próximo ao que nós poderíamos chamar de moeda, muitos paradigmas foram indubitavelmente quebrados para que tivéssemos transações financeiras globais de forma rápida, anônima, sem influência de instituições financeiras e com pouquíssimas taxas. Inspirado por estas informações fui procurar mais detalhes sobre Satoshi, mas para a minha surpresa, me deparei com um verdadeiro universo de mistérios. Ninguém sabe exatamente o que ou quem ele é. Existem muitas pessoas que dizem não ser realmente um homem, mas um grupo de pessoas que, em conjunto, desenvolveram os conceitos, os softwares e a estratégia do bitcoin, e que unidas personificam um único pseudônimo.

Este clima me deixou motivado a estudar o bitcoin e perceber que não temos uma moeda no seu conceito tradicional com lastro em ouro, por exemplo. Tudo está firmado em algo que podemos chamar de criptomoeda. Algo capaz de unir, de uma maneira fantástica, os conceitos de criptografia e moeda virtual.

Sem ter sucesso com minha pesquisa sobre Satoshi, fixei meus objetivos no próprio bitcoin. Percebi que a primeira anotação pública do conceito que envolve o bitcoin foi publicada em 2008 e considero uma boa fonte de leitura para um entendimento mais amplo As anotações de Satoshi revelaram traços norte americanos e britânicos, com um conhecimento avançado da língua inglesa, deixando dúvidas sobre sua origem japonesa. A vida de Satoshi era cercada de várias atividades em listas de discussões, publicação de artigos ou whitepapers e misteriosamente a sua interação com a internet acabou em 2010, após ter nomeado seu sucessor, Gavin Andresen. Qual terá sido o motivo?

Um ano depois (2009), a versão 0.1 do software bitcoin foi divulgada como código livre para download, proporcionando a disseminação das primeiras unidades da moeda virtual. Entretanto, as inspirações de Satoshi para a criação do bitcoin aparentaram estar relacionadas a algo com fortes raízes políticas. Isso pode explicar seu misterioso desaparecimento. A facilidade de poder transferir dinheiro diretamente de uma pessoa para outra sem passá-lo por uma instituição financeira, transpassando as barreiras de países e taxas tradicionais, torna-o uma ferramenta que facilmente pode ser usada para qualquer comercio tradicional e também para fins ligados a criminalidade. Note que a versão atual do software limita a criação de 21 milhões de bitcoins até 2040 e já está em circulação 11,25 milhões, sobrando 9,75 milhões a serem minerados.

A verdadeira questão é imaginarmos quais os impactos do bitcoin do mercado financeiro tradicional. Note que não existe uma representação de lastro no mundo real, o que implica a inicialmente imaginarmos a geração de moeda de maneira infinita (teoricamente!). Entretanto não é tão simples assim "minerar" bitcoin. Para começarmos a obter quantidades significantes de bitcoin rapidamente, é necessário ter uma estrutura computacional com recursos gráficos robustos operando 24h por dia fazendo uso de um software gratuito, que é controlado por um fluxo de mineração ajustado automaticamente pela rede, gerando numa taxa limitada e previsível.

Depois de gerado, os bitcoins são guardados em uma carteira digital e as transações de transferência monetária via P2P (Peer-to-Peer) são checadas e assinadas digitalmente para garantir sua autenticidade e evitar as fraudes. Rafael Cabral, em sua reportagem Tudo sobre bitcoin (publicada no GIZMODO Brasil, em 02/07/13), aborda de maneira detalhada uma aventura em Londres para entender os mistérios contidos nesta criptomoeda. Rafael conta que é possível comprar casas, computadores, guitarras, pizzas, além de poder trocar prata ou ouro em câmbios especializados e revela que, como qualquer moeda, a procura pode ser motivada por diversos fatores que comumente movimentam o mercado de ações: maior exposição na imprensa, incerteza econômica ou o simples pressentimento de que haverá uma valorização ou desvalorização devido a um fato específico.

Como um fã incondicional da segurança digital, não poderia deixar de abordar este tema. É natural que exista o risco de furto por criminosos, como o ocorrido no banco de bitcoins Flexcoin. O Flexcoin fechou, paralisando suas atividades em março de 2014, depois de um ataque que levou 896 bitcoins, cotados na data do ataque em £ 365.000,00. Após este evento, o valor da moeda foi cotado a US$120,00. Se estudarmos este fato, veremos que não é improvável perceber uma interferência monetária elaborada por criminosos digitais para desvalorizar a moeda e facilitar a sua compra.

Se olharmos para o futuro e observarmos o grau de valorização do bitcoin, e se considerarmos sua curva crescente atrelada a uma influência global, veremos que será inevitável encontrar salas em Data Centers com vários grupos de computadores gerando bitcoin (miners), consumindo quantidades imensas de energia (KVA). Neste cenário, concordo com o amigo Eduardo Maldonado Rosa, que em conversa expressou a ausência de um retorno mais adequado para a humanidade no uso do bitcoin. Se a criação do bitcoin foi embasada em tonalidades de revolta ou rebeldia, poderíamos ter este espírito de rebeldia apoiando projetos humanitários ou auxiliando o uso do seu complexo poder matemático para a procura de vida extraterrestre, por exemplo. Desta forma, a ausência de lastro financeiro, como conhecemos, estaria embasado em um novo modelo de lastro, bem mais aderente ao que poderíamos chamar de visão de uma nova sociedade. Isto sim, faria com que sua adoção fosse muito maior do que as atuais projeções.

Se sairmos da discussão humanitária e formos direto para o estudo financeiro, veremos que o valor de um bitcoin já chegou a US$ 266,00 (Abril/2013). Por este motivo, muitos se sentem inspirados a negociar bitcoins em diversas partes do mundo. No Brasil, já temos no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, um local com um caixa de bitcoins fabricado pela empresa portuguesa Lamassu. O local foi escolhido devido a sua aproximação com os centros empresariais da região. E pensar que a primeira pizza vendida teve o valor de 10.000 bitcoins, algo equivale hoje a aproximadamente US$ 1.220.000. Se o tamanho atual do mercado de bitcoins supera realmente os US$ 1,27 bilhões, vou começar a minerar a minha parte também…

Denis Augusto Araújo de Souza, Analista de Produtos MSS do UOLDIVEO, autor do livro em português sobre FreeBSD, O Poder dos Servidores em Suas Mãos. Segunda edição: ebook publicado pela Amazon.com.br. Autor da série de livros Tempestade Hacker, publica também pela Amazon.com.br.

Primeiro paper sobre bitcoin: https://bitcoin.org/bitcoin.pdf

Mercado Financeiro: https://www.mercadobitcoin.com.br/#socialSection

Tudo sobre Bitcoin: http://gizmodo.uol.com.br/tudo-sobre-o-bitcoin/

O caso Flexcoin: http://www.theguardian.com/technology/2014/mar/04/bitcoin-bank-flexcoin-closes-after-hack-attack

Opções de wallets: https://bitcoin.org/en/choose-your-wallet

Bitcoin na Investopedia: http://www.investopedia.com/articles/general/032614/who-satoshi-nakamoto-mysteriousbitcoin-founder.asp

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