Quatro meses após seu lançamento, Apple Pay vê a incidência de fraudes aumentar

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Pouco mais de quatro meses após seu lançamento, o Apple Pay já é vítima de fraudes. Alguns bancos americanos dizem ter verificado uma incidência crescente de ações para burlar o serviço móvel de pagamento da Apple, em que criminosos têm explorado vulnerabilidades no processo de verificação de adição de um cartão de crédito, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto disseram à reportagem do Digits, do The Wall Street Journal. Diante disso, os bancos estão intensificando o processo de verificação numa tentativa de conter a fraude, disseram as fontes.

A questão da fraude foi trazida à luz por Cherian Abraham, especialista em meios de pagamento que desenvolve estratégias de mobile payment com bancos e varejistas em um post em seu blog no fim de fevereiro. Ele disse que as fraudes "estão crescendo como uma erva daninha, e os bancos têm sido incapazes de coibi-las".

Para Abraham, não é "uma anomalia" verificar a existência de fraudes em cerca de 6% das transações do Apple Pay, ante cerca de 0,1% nas transações com cartão de plástico. Ele observou que as taxas de fraude variam de acordo com o banco emissor.

Procurada pela reportagem, a Apple se recusou a comentar sobre as taxas de fraude, mas disse que o Apple Pay foi "projetado para ser extremamente seguro e proteger as informações pessoais do usuário". A empresa acrescentou que "os bancos estão sempre revendo e melhorando seus processos de adição de cartões, e que varia de uma instituição para a outra".

O roubo de identidades e de números de cartão de crédito não é exclusividade do Apple Pay. Isso tem sido um problema há muito tempo em transações de comércio eletrônico, em que as taxas de fraude são mais elevadas do que nas compras com cartão de crédito na loja. Mas o sistema de pagamento da Apple, graças ao seu processo de compra rápida e fácil, pode combinar algumas das vulnerabilidades em compras online.

A Apple tem comemorado o sucesso do Apple Pay, que, segundo ela, tem sido responsável por dois de cada três dólares gastos através de meios de pagamento sem contato das bandeiras Visa, Mastercard e American Express. A meta da fabricante do iPhone agora é expandir o serviço internacionalmente.

Transações seguras

A Apple ressalta que tem feito grandes esforços para garantir a segurança nas transações pelo Apple Pay. E cita um "elemento de segurança" integrado ao iPhone 6 que armazena os dados de pagamentos criptografados, separados do restante do aparelho. Ele usa um leitor de impressões digitais para assegurar que o dono do telefone está fazendo a compra e emite um código para que os comerciantes não vejam as informações do cartão de crédito dos clientes.

No entanto, a fraqueza na segurança identificada por Abraham ocorre em um estágio anterior, quando um usuário está adicionando o cartão de crédito no Apple Pay. Quando um usuário adiciona um cartão, a Apple envia informações como o tipo de telefone, os quatro últimos dígitos do número do aparelho e sua localização para o banco emissor, que decide se habilita o cartão para o Apple Pay.

Os bancos podem solicitar informações adicionais se as informações não coincidirem com as da Apple. Nesses casos, o banco pode solicitar que o usuário responda perguntas adicionais de segurança. Abraham diz que alguns bancos tornaram muito fácil a aprovação de clientes, o que abre as portas para fraudes.

A Apple diz que as fraudes estão sendo coordenados por gangues sofisticadas do crime organizado. A empresa recebe 0,15% dos bancos por todas as transações feitas por meio do Apple Pay e obteve essa concessão persuadindo as instituições financeiras que seu serviço de pagamentos é mais seguro do que o tradicional cartão de crédito de plástico.

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