O valor da confiança

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A era da transformação digital mudou radicalmente a maneira como as empresas se comunicam com seus clientes, funcionários, acionistas, imprensa, fornecedores e outros stakeholders. A informação, em seu formato eletrônico, possui uma velocidade e um poder de alcance sem precedentes e pode representar tanto um grande risco quanto uma excelente oportunidade para construir reputação e gerar negócios. Quanto maior for o grau de confiança e credibilidade de uma organização, maior será o valor de sua marca.

Essa confiança é conquistada de diversas formas. Além de ser imprescindível um alto nível de qualidade nos produtos / serviços e no suporte pós-venda aos clientes, valores como ética, transparência e as boas práticas de gestão contribuem para alcançar esse objetivo. Nunca se falou tanto em boas práticas de governança corporativa. Elas consistem basicamente em um conjunto de regras, leis, políticas e controles internos que convertem princípios em recomendações e atitudes objetivas e regulam o modo como uma empresa é administrada, de forma a alinhar interesses mútuos de controladores e acionistas.

Acredito que no tripé que sustenta a boa governança corporativa devem estar necessariamente a transparência, os controles contábeis e a equidade das informações. Nesse sentido, a comunicação é uma ferramenta crucial para que estes pilares estejam alinhados entre si e aos objetivos de negócios estabelecidos pelas organizações. A comunicação com os stakeholders tem de ser ágil e, ao mesmo tempo, prezar pela integridade das informações para que haja um entendimento claro por todos os públicos de interesse da companhia. Disponibilizar as informações de forma adequada e compartilhar a tomada de decisões com esses públicos é uma forma de gerir melhor os riscos e as oportunidades. Mesmo as empresas que não possuem capital aberto ou que pertencem a setores menos tradicionais e estão sujeitas a normas menos rígidas devem prezar pela transparência na comunicação.

Outro aspecto fundamental para a boa governança é a criação de comitês de apoio ao Conselho de Administração e, felizmente, essa prática vem crescendo no país. De acordo com a pesquisa Evolução da Governança Corporativa nas Empresas Listadas em Bolsa – 2004 a 2012, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a criação desse tipo de comitê saltou de 13,8% para 41,5% em um período de oito anos, com destaque para aqueles dedicados a temas de Recursos Humanos e de Auditoria.

É consenso que as empresas que praticam a governança corporativa têm mais chances de aumentar a liquidez de seus ativos, diminuir a volatilidade no valor de suas ações e contribuir para sua sustentabilidade e longevidade no mercado. Existem inúmeros estudos que associam o valor de uma marca à sua boa prática de governança. Mesmo não constando nas demonstrações financeiras das empresas, a não ser em um momento de aquisição, o valor de uma marca é geralmente o mais importante ativo de uma organização. Esse é um bem intangível à primeira vista, mas que deve ser muito bem gerido para tornar-se o mais valioso.

Mauricio Cataneo,  diretor presidente para o Brasil e Chief Financial Officer para América Latina da Unisys. Também preside o Comitê de Ética da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

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