Desafios da pandemia de coronavírus para os bancos

0

A pandemia global do COVID-19 está criando desafios para a rotina de serviços locais essenciais e para as áreas como a logística e o varejo. Além desses, outro setor que vive novos paradigmas por causa do isolamento social é o setor bancário. Mas o que, afinal, os bancos precisarão mudar em suas operações para manter seu atendimento e inclusive otimizar a experiência dos clientes durante a crise do novo coronavírus?

Em todo o mundo, as instituições financeiras têm orientado seus clientes a utilizar os aplicativos e serviços web para transações financeiras. Embora a praticidade do mobile banking seja essencial neste momento, é vital que os bancos busquem maneiras de garantir a agilidade e a segurança de ponta a ponta nas operações que envolvem tanto o dinheiro físico como o digital.

Pesquisas internacionais envolvendo as principais instituições financeiras do mundo comprovam que os líderes do segmento estão olhando com mais atenção as experiências e os serviços digitais. Mesmo antes da epidemia, esses bancos já listavam no topo de suas prioridades o aumento do uso de Inteligência Artificial e Análise de Dados, a expansão do foco em serviços digitais para o varejo e pequenos negócios e um foco maior para o gerenciamento de dinheiro digital. Com o surgimento do surto de COVID-19, as lideranças do setor financeiro aumentaram a prioridade dessas ações.

Os estudos indicam, por exemplo, que as mensagens enviadas pelos bancos estão mudando radicalmente de foco, à medida que a crise exige novas medidas protetivas. Antes da pandemia, quase 85% dos comunicados divulgados em todo o mundo enfatizavam os serviços em agências; depois das recomendações de distanciamento, no entanto, 68% das ações passaram a mirar exclusivamente as iniciativas digitais.

Isso não significa, evidentemente, que o atendimento presencial tem perdido importância. Em um país como o Brasil, especificamente, o papel das agências e dos caixas eletrônicos continua sendo vital para a movimentação da economia, mesmo agora em tempos de distanciamento e proteção social.

Nesse contexto, vale destacar dois pontos. O primeiro é que, de acordo com dados do Governo brasileiro, cerca de 90% das transações locais ainda são feitas com dinheiro em espécie. O segundo é que temos de considerar que as ações de redistribuição de renda previstas pelo setor público dependerão diretamente da malha de terminais eletrônicos do País. Por isso, garantir a integração segura e eficiente da rede de atendimento física e digital precisa ser uma demanda prioritária do setor como um todo, promovendo a diversidade nos canais à disposição do público.

Em outras palavras, os bancos devem entender como mesclar seus esforços no desenvolvimento de ofertas mais completas, adotando soluções inteligentes para garantir não apenas a praticidade, mas principalmente a segurança nas transações digitais dos clientes.

Não se trata de escolher a oferta digital em detrimento das agências, mas sim de buscar sinergia para oferecer o máximo de opções, entregando mais inteligência aos consumidores. Hoje, por exemplo, já podemos iniciar operações bancárias em nossos dispositivos móveis, como tablets ou smartphones, e concluir o processo em um caixa eletrônico (ATMs), com segurança e eficiência.

As ações do setor bancário, assim como de qualquer outro, precisam ser focadas nas pessoas. O que os bancos estão fazendo é a adequação de seus serviços a um novo cenário, no qual clientes de todos os tipos precisarão de serviços mais móveis, integrados e eficientes – em casa ou na rua.

A tecnologia, hoje, tem o poder de fazer essa ponte entre os mundos físico e digital do dinheiro e dos pagamentos para permitir experiências mais eficientes e transparentes em um mundo em constante mudança. Existem oportunidades interessantes no Brasil e é hora de aprender para oferecer serviços que melhor atendam aos clientes. Afinal, neste momento, a missão urgente para os bancos e para todas as empresas é conectar as pessoas aos serviços essenciais quando, onde e como elas precisam.

Elias Rogério da Silva, presidente da Diebold Nixdorf Brasil.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.