CxOs: Coragem e ousadia para (re)inventar

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"Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes". A frase de Albert Einstein exemplifica da melhor maneira o desafio atual de qualquer empresa. Afinal, o poder de inovar parece ser grande feito daquelas que já apresentam resultados extraordinários.

No centro desta discussão está a figura dos profissionais que possuem extrema importância nos processos de decisão, transformação, adaptação e reinvenção de uma companhia: o CxO.

Responsável por identificar ameaças e oportunidades tecnológicas / mercadológicas nas organizações e transformá-las em soluções lucrativas, seu papel é cada vez mais estratégico.

Como não poderia deixar de ser, tamanha evidência acaba trazendo consigo grandes responsabilidades e desafios. O fato é que agora não basta apenas inovar, é preciso ter coragem e ousadia para implementar mudanças estratégicas com rapidez de acordo a demanda do cliente.

Ainda que cientes desta necessidade, percebo que muitas empresas perdem oportunidades incríveis, vezes por conta da burocracia interna, vezes por falta desta coragem por parte dos tomadores de decisão. Os softwares são um ótimo exemplo. Mesmo sabendo que eles evoluem com uma rapidez impressionante, não é raro vermos contratos que demoram até dois anos para serem assinados. O que era inovador torna-se mera commodity no mercado. O que era revolucionário agora virou algo mandatório para se igualar a novos concorrentes, vide Netflix e Whatsapp.

Certa vez, estava em uma reunião com um CTO de um grande Service Provider na América Latina. Na ocasião, oferecia equipamentos de última geração para melhorar a performance da rede e soluções de software para competir contra OTTs que estavam chegando naquele país. Além disso, entraríamos no projeto com financiamento das soluções via um banco parceiro da empresa fornecedoras com juros subsidiados e com longo prazo para pagamento. Ou seja, uma proposta com várias facilidades para implementação imediata. A resposta do cliente foi: "não me traga nada com vídeo para sobrecarregar mais minha rede". Minha resposta foi básica: "as empresas OTT já estão fazendo isto e somente estamos lhe oferecendo ferramentas sofisticadas para você reverter o cenário".

Por isso, gosto de reforçar que a principal qualidade para aqueles profissionais responsáveis por (re)inventar ou até mesmo para adaptar um negócio é a coragem. Faço justiça em dizer que esta característica está presente em alguns gerentes, que buscam conhecimento com fornecedores e/ou terceiros, mas são barrados por seus superiores dizendo que "esta inovação não faz parte da estratégia da companhia".

Então o que fazer?

CxOs devem visitar feiras, discutir tendências, exigir e definir inovações junto aos seus parceiros tecnológicos e, ao mesmo tempo, ser o agente transformador dentro de suas próprias empresas. O middle management agradece e está ávido por ter líderes capazes de transformar os mercados onde atuam.

Exemplos positivos estão aí para serem estudados e seguidos. Gigantes como Tesla, Amazon, Apple, Netflix e Google perceberam há algum tempo que não são empresas que simplesmente oferecem produtos. Elas passaram a ser empresas de serviços e sabem inovar utilizando a sua própria marca.

Costumo dizer que somente os ousados tem histórias para contar. Aos outros, resta apenas admirá-las. Tenho certeza que é fácil definir em qual lado os CxOs devem estar. Afinal, coragem para inovar não é mais somente um diferencial. Hoje é questão de sobrevivência.

Edmar Moraes, country manager da Kaltura Brasil.

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