Empresas recém-listadas na B3 vão às compras

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É de se admirar o crescimento de empresas que optaram por abrir seu capital por meio de IPOs (oferta pública inicial de ações), como forma de financiar as atividades e ao mesmo tempo expandir e dar mais visibilidade aos seus negócios. Mas muitas vezes a estratégia de crescimento não para por aí. As mesmas empresas, agora com cheques generosos em seus caixas, estão cada vez mais atentas às oportunidades de compra de outras companhias como forma de impulsionar ainda mais seu crescimento e destaque no setor onde atuam.

Primeiro vamos aos números. Em 2020, 27 empresas debutaram na bolsa brasileira movimentando cerca de R$ 112 bilhões (entre IPOs e follow-ons), superando o ano anterior, 2019, que contou com somente cinco empresas abrindo capital, o que ao final representou um volume de R$ 90 bilhões. Já em janeiro de 2021, que aparentemente começou fraco com a estreia de somente duas empresas, logo depois, em fevereiro, já contabilizou outras 13 companhias figurando no rol da B3. Fora isso, outras 43 companhias que já protocolaram seu pedido junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), estão na fila aguardando a abertura de capital.

Dado todo esse panorama de mais empresas acessando o mercado de capitais, temos ao mesmo tempo um cenário também promissor quanto à novas fusões e aquisições. Segundo dados da PwC, 2020 apresentou o maior volume histórico de compra de empresas com 1.038 transações anunciadas publicamente, um volume 48% superior à média dos últimos cinco anos (701 operações). Entre 455 transações que tiveram valor anunciado em 2020, o montante representa um volume de US$ 26,4 bilhões. E o setor que mais se destacou foi o de Tecnologia, com 398 transações, ante 258 em 2019, um incremento de 54%.

Agora, vejamos o caso da Méliuz, startup mineira de cashback e cupons de descontos, que abriu capital em novembro passado e deu uma guinada tech na bolsa quando captou R$ 661 milhões nas ofertas primárias, ao vender os papéis a R$ 10 cada. Importante analisar o IPO não como um fim, mas certamente como um novo começo.

No final de fevereiro (26/02), apenas três meses após estreia na bolsa, a Méliuz anunciou sua primeira aquisição, uma plataforma de cupons de descontos e promoções e que atua em mais de 40 países, a Picodi.com que foi arrematada por R$ 120 milhões. Após o anúncio, que aconteceu numa sexta-feira, no pregão seguinte, em 1º de março, os papéis da Méliuz que já vinham performando bem, alcançaram uma valorização máxima de mais de 5%, registrando ao final do dia uma alta de 1,38% (a R$ 28,39). Segundo fato relevante, a aquisição é estratégica "na medida em que permitirá um ganho de escala e volume para a operação do seu próprio marketplace e ampliará a exposição da Méliuz a mercados internacionais". 

Assim como existem algumas dezenas de empresas à espera de abertura de capital, podemos dizer que há uma forte tendência de que essas mesmas companhias, que irão captar recursos para seu crescimento e investimento, de seguirem atentas às oportunidades de fusão e compras de outras companhias. Para àqueles que conseguiram ser bem-sucedidos em meio a tantas dificuldades, a pandemia impôs uma velocidade da digitalização e aprimoramento ainda mais velozes, não há tempo hábil para um desenvolvimento orgânico e por isso a necessidade de buscar respostas fora, adquirindo empresas que já têm a solução necessária já rodando no mercado.

Esses são alguns dos motivos que apontam para cada vez mais empresas recém entradas na bolsa se destacarem, num movimento estratégico, combinando o levantamento de aportes com a aquisição de outras companhias.

Alon Sochaczewski, fundador e CEO da Pipeline Capital.

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