AMD move ação contra Intel para 'garantir sobrevivência'

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A fabricante de chip AMD precisa mais que duplicar a sua participação de mercado para sobreviver, de acordo com um informe apresentado por advogados da empresa em razão da ação judicial antitruste movida contra a Intel.

No fim do ano passado, a AMD detinha 13% de participação no mercado de microprocessadores, menos de metade do que ele necessita para operar como um negócio sustentável, de longo prazo, segundo o comunicado, no qual ressalta, ainda, que o intento da Intel para colocar a empresa fora do mercado de processadores foi alcançado em grande parte. "Tomando como base de medida a receita, a AMD fez poucos progressos no crescimento da sua fatia no bolo", diz o informe.

De acordo com analistas, o argumento da AMD perante os órgãos antitrustre de que o comportamento anticoncorrencial da Intel tem colocado em risco o seu futuro é crucial para que ela consiga obter uma reparação, incluindo as perdas. Mas observam que a reivindicação poderá, ao mesmo tempo, assustar os clientes corporativos, que já desconfiam de problemas financeiros da empresa.

As empresas, segundo esses analistas, geralmente tomam decisões de compra de computadores com uma perspectiva de longo prazo e planejam o uso e a aquisição de sistemas por muitos anos. As preocupações em relação a sustentabilidade no longo prazo conjugada com a inquietação acerca da saúde financeira da empresa ? enfraquecida ainda mais pela liberação com atraso do seu processador quad-core Opteron e o reescalonamento de longo prazo da dívida ? poderá a maioria dos CIOs a considerar a compra de computadores baseados em chips da Intel.

"Ela corre o risco de empurrá-los na outra direção", disse Rajnish Arora, diretor de pesquisas sobre o mercado de servidores e Workstations da IDC Ásia-Pacífico.

O informe da AMD diz que a ação enviada à corte foi fortemente baseada no alegado comportamento anticoncorrencial e na suposta relação ?obscura? da Intel com os principais fabricantes de computadores. A acusação é clara: a Intel teria pago os principais fabricantes de computadores para que usassem exclusivamente, ou quase exclusivamente, os seus chips.

O efeito dessa e de outras alegadas táticas empregadas pela Intel teria anulado os ganhos da AMD com o sucesso obtido com a sua linha de chips Opteron para servidores, lançada em 2003. "Os ganhos de participação e de receitas foram insignificantes", disse a empresa em seu comunicado.

As preocupações da AMD sobre o futuro são legítimas, segundo Arora da IDC, que ressalta a necessidade de investimento intensivo de capital e os ciclos curtos do negócio de processadores. "Eles vão ser cada vez mais desafiados e precisam fazer crescer o negócio e escalá-lo."

A chave para a AMD, segundo ele, está em gerar uma forte demanda do usuário final para seus processadores, o que, por sua vez, implica que mais fabricantes de computadores vendam sistemas baseados em seus chips. "É tudo impulsionado pela procura dos clientes", finalizou Arora.

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