IA sem integração é só um quebra-cabeça incompleto

0

No artigo anterior, falamos sobre como investir em IA sem cuidar dos processos e das pessoas pode ser um erro estratégico. Mas há outro aspecto crítico nessa equação: a integração.

Muitas empresas investem em inteligência artificial esperando eficiência e inovação, mas esquecem que, sem conexão com os processos certos, a IA pode acabar criando novos gargalos. Em vez de otimizar o negócio, ela pode gerar mais complexidade.

Pense em um quebra-cabeça: você pode ter uma peça incrível, cheia de detalhes e com um design sofisticado, mas se ela não se encaixar no resto do tabuleiro, de que adianta? IA sem integração é exatamente isso: uma peça promissora, mas sem utilidade real.

Quando a IA resolve um problema e cria outro

Muitas vezes, a empresa decide implementar IA para resolver um problema específico. E até funciona. Mas, sem uma visão estratégica, a solução vira apenas uma mudança de problema de lugar.

Por exemplo, imagine que sua empresa implementa um assistente virtual para acelerar o atendimento ao cliente. Agora, os consumidores obtêm respostas rápidas, sem precisar esperar na fila do call center. Parece um avanço, certo? Mas, se esse chatbot não estiver conectado ao backoffice, as solicitações vão travar em outra etapa. O cliente sai do chat satisfeito, mas depois percebe que sua solicitação ficou parada por falta de integração com o time responsável. A frustração continua, e pode até aumentar.

Outro exemplo clássico é a automação da análise de dados. Muitas empresas coletam uma quantidade absurda de informações com IA, gerando relatórios e insights. Mas aí surge a pergunta: quem está usando esses dados para tomar decisões? De nada adianta ter previsões sofisticadas se elas não chegam às pessoas certas na hora certa.

Esses exemplos deixam claro que IA isolada não significa inteligência operacional. O verdadeiro ganho só acontece quando a tecnologia está sincronizada com processos e pessoas.

Hiperautomação: O elo que faltava

Se IA sozinha não resolve, qual é a alternativa? Hiperautomação.

Esse conceito não se trata apenas de automatizar tarefas isoladas, mas de orquestrar processos inteiros, conectando IA, RPA, BPM e análise de dados em um fluxo contínuo e otimizado.

Veja algumas aplicações onde IA integrada realmente faz a diferença:

Análise inteligente de documentos – No setor jurídico, a IA pode ler contratos e extrair cláusulas automaticamente. Mas o real valor surge quando isso está integrado ao fluxo de revisão, agilizando aprovações e reduzindo riscos.

Classificação e validação de documentos – No setor financeiro, IA combinada com OCR pode extrair, categorizar e validar automaticamente notas fiscais e contratos, garantindo conformidade, reduzindo erros humanos e acelerando toda a cadeia de processamento financeiro ao integrá-los diretamente a sistemas de gestão e aprovação.

Auditoria automática de despesas – IA pode revisar reembolsos e identificar anomalias em tempo real, garantindo conformidade sem burocracia desnecessária.

Otimização no atendimento interno – Sistemas que analisam solicitações de funcionários e direcionam automaticamente para o setor correto, reduzindo tempo de resposta e eliminando gargalos invisíveis.

Aqui está a grande diferença: nesses exemplos, a IA não atua sozinha. Ela faz parte de um fluxo inteligente, que conecta diferentes sistemas, setores e equipes. O resultado? Operações mais ágeis, decisões mais precisas e menos retrabalho ou, como chamamos por aqui, Processos Inteligentes.

A verdadeira transformação não vem da tecnologia, mas de como ela é aplicada

É preciso reforçar um ponto fundamental: o problema nunca foi a IA em si. O desafio é como ela é aplicada.

Empresas que integram IA de forma estratégica não apenas aumentam a eficiência, mas criam um modelo de operação mais ágil, escalável e resiliente.

Segundo um estudo da McKinsey, empresas que adotam IA com um modelo estruturado podem aumentar sua eficiência operacional em até 30%. Mas esses números só fazem sentido quando entendemos o que há por trás: mapeamento de processos, fluxo de dados bem estruturado e capacitação contínua das equipes.

Hiperautomação não é apenas sobre tecnologia. É sobre criar inteligência operacional, onde sistemas, processos e pessoas trabalham em sinergia para gerar valor contínuo.

Então, a pergunta que fica é: a IA que sua empresa implementou está realmente resolvendo problemas ou só mudando eles de lugar?

Tiago Amor, CEO da Lecom.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.