Tecnologia criou mais empregos nas duas últimas décadas do que destruiu, diz estudo

0
25

A batalha entre o homem e as máquinas remonta séculos. E agora deve ganhar novos contornos com a ascensão dos robôs, que tem ensejado discussões acaloradas sobre até que ponto os humanos serão substituídos por esses equipamentos, como alguns preveem, embora muitos especialistas afirmem, ao contrário, que a chamada quarta revolução industrial — que estamos experimentando atualmente — será marcada justamente pela integração entre humanos e máquinas.

Um estudo recente conduzido por economistas da Deloitte procura jogar luz sobre essa discussão. O relatório da consultoria traz a constatação de que, em vez de destruir postos de trabalho, a tecnologia tem sido um "grande máquina de criação de empregos". A Deloitte, inclusive, fez alguns achados interessantes, tal como o que mostra um aumento no número de cabeleireiros neste século, o que sugere que a tecnologia aumentou o poder de compra gerando, por tabela, novas demandas e novos postos de trabalho.

O estudo, que foi indicado ao Prêmio Rybczynski, da Sociedade Britânica de Economistas de Negócios, diz que o debate tem sido desviado para os efeitos destruidores de emprego pelas mudanças tecnológicas, que são mais facilmente observados do que os seus aspectos positivos.

"A tendência dominante de redução do emprego na agricultura e na indústria está sendo mais do que compensada pelo rápido crescimento nos setores de inovação, tecnologia e serviços", escrevem os autores Ian Stewart, Debapratim De e Alex Cole. "As máquinas irão assumir tarefas mais repetitivas e trabalhosas, mas não parecem perto de eliminar a necessidade de trabalho humano em qualquer momento."

Em alguns setores, o estudo reconhece que a tecnologia muito claramente tem suprimido empregos, mas Stewart e seus colegas questionam se eles são realmente postos de trabalho que valem a pena ser preservados. Segundo o relatório, a tecnologia substitui diretamente a mão de obra pesada e, ao fazê-lo, aumenta a produtividade, embora diminua o emprego. "No Reino Unido, por exemplo, o primeiro setor a sentir o efeito dessa substituição foi a agricultura", diz o estudo. A título de comparação, o relatório mostra que, em 1871, 6,6% da força de trabalho na Inglaterra e País de Gales estavam na agricultura. Hoje, esse índice caiu para 0,2%, uma redução de 95%.

Aumento da produtividade e do emprego

O relatório cita, por exemplo, um aumento de 909% no número de auxiliares de enfermagem durante as últimas duas décadas. Dados do Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido mostra que o número de trabalhadores em enfermagem subiu de 29.743 para 300.201 entre 1992 e 2014. No mesmo período, houve também um aumento de 580% no número de trabalhadores no ensino e apoio educativo. Em alguns setores — tais como medicina, educação e serviços profissionais — a tecnologia aumentou a produtividade e o emprego, afirma o estudo, que aponta, por outro lado, queda no número de tecelões (79%) datilógrafos (57%) e secretárias (50%).

"O fácil acesso à informação e o ritmo acelerado da comunicação revolucionaram a maioria das indústrias baseadas no conhecimento", dizem os autores. Ao mesmo tempo, o aumento geral da renda ampliou a demanda por serviços profissionais. Além disso, o avanço tecnológico reduziu os preços de itens essenciais, como a comida, e o preço de itens domésticos, como televisores e eletrodomésticos. O preço real de automóveis caiu pela metade nos últimos 25 anos, observa o relatório.

O estudo da Deloitte conclui que "o estoque de trabalho na economia não é fixo" e cita o aumento do número de cabeleireiros como prova de que enquanto uma avenida se fecha no mercado de trabalho, outras são abertas. Os autores acreditam que o aumento da renda permite que os consumidores gastem mais com serviços pessoais, o que também seria, segundo eles, um reflexo direto do avanço tecnológico.

Deixe seu comentário